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LIFE & LOVE

FUCK YOU! I’M 30 AND I LIKE IT

4 Abril, 2017

 

FUCK YOU! I’M 30 AND I LIKE IT!

 

Foi esta a frase que me passou pela cabeça quando li, pela milionésima vez, mais um artigo sobre “como fazer alguma coisa com 30 anos”.

CHEGA! ENOUGH is ENOUGH!

 

Eu assino muitas newsletters, leio muitas publicações nacionais e internacionais sobre moda, comportamento, beleza, cultura e vai na volta aparece no meio da outra ramagens informativas os célebres artigos com os belos e encorajadores – NOT – títulos:

“Tudo o que tens que fazer antes dos 30”

“Os cremes que tens que usar antes dos 30”

“As viagens que tens que fazer antes dos 30”

“As séries que tens que ver antes dos 30”

“O sexo que tens que ter antes dos 30”

“Conselhos que deverias querer saber antes de fazer 30 anos”

 

CHEGA!!!!!

Mas desde quando é que chegar aos 30 significa uma clausura social, um alienamento da realidade e uma falta de brio pessoal?

 

FLASH NEWS, PESSOAS: Não acontece rigorosamente nada aos 30 ANOS!!

Ahhhhhhhhh (sons de espanto). É verdade…

A gota de água foi quando hoje li este título “How to Dress (and Not Dress) for Coachella Post-30”.

What?!?! Como assim?! Mas desde quando é que depois dos 30 tens que ter um código de vestuário apropriado e completamente desadequado para ires abanar o rabo para um festival!?!?

Já alguém foi a um festival de música nos tempos que correm? Parece-me que não! Primeiro, WHO CARES para aquilo que tens vestido?

A não ser que queiras sacar aquele boy-magia que andas a galar há imenso tempo, que tenhas um date brutal no concerto, que estejas solteira e queiras sensualizar ou que tenhas que, em trabalho, estar “mais arranjada”, porque tens que aparecer publicamente, aqui em casa a política dos concerto é a mesma – quanto mais velho, melhor!

 

Agora, auto-censurar-me e espartilhar-me, na roupa, pela minha idade… NÃO!

Por amor de Deus. MENOS!

Eu prefiro que as mulheres, independentemente da idade, façam essa avaliação interior do que podem vestir e do que não podem vestir, sendo que esta discussão é muitoooooo subjectiva. Pois se considerarmos que uma mulher independentemente do seu corpo tem a confiança para vestir o que quer que seja, quem são os outros para dizer o contrário? Há roupas apropriadas e outras desadequadas? O que fica bem a uns não fica a outros? Há corpos e idades para se vestir o que quer que seja? Não creio. Não creio, mesmo!

Tudo isto são auto-conceitos imposto externamente (educação, cultura, redes sociais, comunicação social).

 

Compreendo, e aqui lanço o meu ponto de vista, que quando temos 50 anos e queremos ir trabalhar de mini-saia a coisa possa parecer um pouco descontextualizada, mas sinto que a moda está tão democrática e nós, mulheres, já batalhámos tanto para que nos consigam ver para além da roupa e dos rótulos, que estar a perpetuar este tipo de títulos é lançar mais uma pedra para o charco da desvalorização e descriminação.

 

MAIS! Sinto que esta catadupa de pre-conceitos e espartilhos relacionadas com a idade tem um fundo muitoooooo maior. Não querendo entrar em estudos sociológicos e comportamentais, não precisamos de ser mestres em psicologia para perceber que tudo isto é reflexo desta sociedade imediatista, que valoriza apenas a juventude, o “now”, o imberbe, e que desvaloriza a experiência, o peso das gerações, a aprendizagem, a velhice. E isso nota-se em vários quadrantes da nossa sociedade. Hoje envelhecer é carregar o peso da decrepitude e da desvalorização.

 

Como se vive com a rapidez de quem está a apanhar o TGV-da-Vida, há esta noção de que TUDO tem que acontecer antes dos 30 – sucesso, carreira, corpo, amor, família, etc.

Mas essa não é a realidade. Há aqui, claramente, um confronto entre a “expectativa” VS “realidade. E quando acreditamos que as coisas ou acontecem assim ou já não acontecem, entramos nas espirais de FOMO e frustração social que estão a afectar profundamente os nossos jovens-adultos.

Há coisas que pedem e merecem reflexão. Há estádios da nossa existência que reclamam por tempo, amadurecimento e isso não é mau, é bom! A sapiência traz-nos moderação, calma, paz de espirito, força interior para encararmos a vida de uma outra forma.

 

E isso não é nem melhor, nem pior é simplesmente diferente.

 

Eu não quero parecer uma velhada-ressabiada-da-internet, mas realisticamente falando as odes estão a ser lançadas a outros protagonistas. O pódio de hoje da relevância é atribuído a quem está a bombar nas redes sociais (na sua maioria com vintes e poucos anos ou muito menos), às it-girls (todas com vintes e poucos anos), aos tec-nerds (todos com vintes e poucos anos e super ricos), aos millenials (todos com vinte anos e com muitas frustrações nas suas cabeças).

 

E os outros!?!?!?!!??!? Onde está o palco para quem nasceu antes de 1987?!? Sabem?!

São as acabadas, as casadas, as mães, as trabalhadoras frustadas, as coitadas das solteironas, as divorciadas, as descaídas, as sem piada, as com rugas, as que não se sabem vestir para um festival, as que têm que estar tapadas até ao pescoço, as que não podem usar uma mini-saia nem um crop-top, as que já não podem usar biquíni, as… ACABADAS!

 

FUCK YOU!!!!!!!!!!!!!!!!!! FUCK YOU! FUCK YOU! FUCK YOU!!!!

 

Nunca me senti tão bem aos 30 do que em toda a minha vida e acho que posso afirmar com 90% de certeza de que as minhas amigas, com a mesma idade ou superiores, corroboram a afirmação.

Nunca tive uma relação tão boa com a minha personalidade, com as minhas ideias, com o meu corpo, com a minha mente. Nunca me senti tão independente como agora. E isso tudo é mau?! Não, não é meus senhores! Bem pelo contrário.

Conheço mulheres com mais de 40 anos sem um pingo de celulite no seu ser e raparigas de 19 que têm que se inscrever urgentemente num ginásio. E o que legitima umas e outras para opinarem sobre o que vestir de ambas? NADA!

É simplesmente um pré-conceito que avança quer na moda, quer no trabalho, quer nas relações pessoais.

 

Por isso aqui lanço a minha petição oficiosa para que se acabe com este estigma dos 30!

O que é isso minha gente!!?!?!?!

Desde quando é que os 30 anos são sinónimo de uma lápide no cemitério do sucesso e do social?

 

Quero muito saber da vossa opinião.

Quem já chegou aos 30 também sente isto?

E quem ainda não chegou está com medo de chegar? Porque é que se sente assim?

Contem-me de vocês <3 Vamos abrir o diálogo sobre esta situação.

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