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LA LA LAND: UMA ORGIA VISUAL APARENTEMENTE PARA ROMÃNTICOS

30 Janeiro, 2017

Depois do meu repto Facebookiano para encontrar alguém que me acompanhasse na demanda cinematográfica de ver o La La Land, depois de uma redonda nega do Senhor-Lá-De-Casa que, passo a citar: 

“Acho que ainda não estamos num ponto da nossa relação em que vou ver um filme romântico em em registo musical. Apenas uma destas vertentes poderá ser aceite numa ida ao cinema”.

Fim de citação e, possivelmente, fim desta relação (quando rima…).

A minha xuxu-do-coração, Rita, mandou-me logo mensagem a combinarmos o visionamento. Yayyyyyyyyyy!!! Lá fomos as duas, belas e amarelas, cheias de pipocas e expectativas ver o filme com mais nomeações aos Óscares dos últimos tempos.

Confesso-vos que estava num misto de extrema curiosidade com medo de me desiludir. Acontece-me sempre isso, quando estou no excitamento total para ver, ouvir ou experimentar alguma coisa. Porque essa mesma coisa desilude sempre. Não pela coisa em si, mas pelo Evareste de expectativas que ergui em seu nome, e essa montanha de virtualidade que é apenas minha e só minha.

Já tinha feito o meu devido TPC. Sabia dos actores, do realizador, da coreógrafa, sabia das inspirações, do mote e do olhar. Já tinha ouvido umas dezenas de vezes a banda-sonora da película (está disponível no Spotify, para quem quiser saber) e estava completamente apaixonada por este comeback romântico de Ryan Gosling e Emma Stone que, by the way, é a minha Girl-Crush-de-todo-o-sempre, acho-a simplesmente genial, maravilhosa, super natural, talentosa até mais não e fofa de morte. 

O filme começou e eu já sabia que me ia emocionar. Flash news: sou uma romântica incurável e estava naquela altura do mês com um TPM a bater níveis de recordes emocionais. Ingredientes perfeitos para o meltdown que se confirmou.

Como é óbvio, não me vou armar aqui em mete-nojo e contar-vos mais do filme do que aquilo que já devem saber, porque está tudo louco na Internet e nas redes sociais a postar sobre o assunto. 

Apenas quero dizer o seguinte:
Este filme é muito mais do que um filme musical. Esqueçam os clichés ou a falta de coolness associada ao género. Quem disse que um musical não pode ser cool? Pode e La La Land é! (arriscaria dizer que esta também deve ter sido a premissa do realizador quando embarcou nesta loucura). 

Mas mesmo que torçam o nariz a sapateados no asfalto, a pas-de-deux românticos, conversas em dó maior, discussões em falsete, ou romantismo desmesurado, fiquem sabendo que o filme é muito mais que isso. Não vão com o pé atrás. Não tenho medo dos musicais, dos rótulos e do que “é comercial”. Dancem até à sala de cinema mais próxima e deslumbrem-se com o que um filme pode fazer por cada um de nós.

Porque:
– Vale (e muito) pela naturalidade dos discursos, pela poesia da imagem que faz uma ode deliberada aos filmes mais clássicos cujas cenas se imortalizaram na cinemateca visual de cada amante da 7ª Arte. 
– Vale pela realização que é brilhante, pelos movimentos de câmara, pelo ritmo, pela constante orgia visual que nos leva ao êxtase logo nos primeiros minutos do filme. 
– Vale pela fotografia… puxa vida, que fotografia…
– Vale pela banda sonora linda, linda, linda que vai andar na boca e nos ouvidos de todos os que se cruzarem com ela.
– Vale essencialmente pelo âmago do texto, pela cumplicidade dos actores, pelos olhares, por aquilo que quiseram personificar. 

O que me leva ao meu momento de breakdown, na cena em que mais me relacionei com o texto – não vos vou contar qual para não dar o spoiler – e aí a mensagem do filme passa a ser outra. 

Passa a ser a mensagem de todos nós, todos os que alguma vez sonharam alcançar alguma coisa e que se vêm permanentemente na estrada a dançar em freestyle para a alcançar. 

Findo essa cena percebi que o filme, aparentemente para românticos, afinal é dos sonhadores. 

Daqueles que nunca perderam a doce loucura de sonhar, mesmo quando o mundo está contra essa concretização. Mais do que isso, o filme é para os que nunca desistem dos seus sonhos, que estão determinados a concretizá-los. Este filme é para eles, é para nós, é para mim, que continuo com esta mania de sonhar, de apontar para as estrelas e nunca desistir. 

Por vezes dói. Choro algumas vezes. Duvido de mim. Questiono o propósito. Mas o que me faz continuar é saber que um dia também poderei dançar entre as estrelas. 

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