BATE-PAPO

O BOM É INIMIGO DO ÓPTIMO? OU O ÓPITIMO É QUE É INIMIGO DO BOM?

3 Outubro, 2018

 

O Bom? O óptimo?

O que é o bom? O que é o óptimo?

Será que o bom é que é mau ou o mau é o óptimo?

E será que o bom é inimigo do óptimo ou o óptimo é que é inimigo do bom?

 

Já sabem que sou péssima para ditados e para frases feitas. Sai-me sempre tudo ao lado.

Acordei com esta lenga-lenga na cabeça (acho que é assim que se diz…): “O bom é inimigo do óptimo”.

Uma frase que me persegue há muito. Uma frase que dizemos com frequência, com tal intensidade que se agarra a nós como verdade absoluta.

 

Acalmem-se!

Não estou a filosofar à maluca, nem baixou em mim o Confúcio-de-Quarta-Feira. Não!

 

Simplesmente percebi que já não publicava aqui no me estaminé do coração há mais de uma semana.

What?!?

NÃO PODE SER! Shame on me!!!!!! (chibatadas no lombo)

 

E porquê? Porque simplesmente achei que não tinha nada de interessante para partilhar convosco.

– “Ai, não tenho coisas giras para contar”;

– “Ai, não tenho feito nada digno de registo”;

– “Ai, não tenho tido criatividade para escrever alguma coisa com piada”;

– “Ai, mimimimimimimi”

 

A bem dizer, desde que vim de férias, estou em modo full force e velocidade 1000 no trabalho.

É aquilo a que se chama “entrada a pés juntos”, sem respirar, todos os dias e não tem restado muito tempo para coisa alguma.

Não tenho tido fins-de-semana completos. Já fiz duas formações em modo pós-laboral e as coisas não parecem estar a abrandar (suspiros…).

 

C’est la vie a acontecer.

Porém, quando ela acontece, a esta velocidade e com este ritmo, temos que nos adaptar, correndo o risco de nos afogarmos no dia-a-dia e nas exigências que dele advém.

 

Escrever ou não escrever eis a questão!

 

Aqui é que está o busilis de toda esta paragem.

Pergunto a vós, meus caros companheiros de viagem:

– É preferível partilhar qualquer coisa do que não partilhar nada? (comentem aqui em baixo!)

 

Foi esta a pergunta que me assombrou durante o trajeto de casa até ao trabalho.

 

Estou paralisada por detrás da minha “folha em branco” a pensar que a minha vida não é suficientemente glamorosa ou interessante para escrever pão. Então, não escrevo.

 

“Não é engraçado, por isso não vale a pena”, penso muitas vezes.

 

Mas será que ando à procura do óptimo, quando na verdade devo perseguir o bom?

(Soltei a Carrie Bradshaw que há em mim. Perdão!)

 

É que o bom fideliza, mantém-nos próximos, ajuda-nos a crescer. Certo?

 

Cada vez mais sinto que estou focada no” óptimo”, muito orientada para a criação de conteúdos relevantes, que acrescentem valor, que sejam extraordinários, que mudem vidas, que sejam partilháveis, inspiradores – ok, menos, Marta! – e menos preocupada com a consistência.

 

And, at the end of the day, que é como quem diz, nos finalíssimos o que conta é o que está aqui postado, é o que aqui se materializa e não a ideia super interessante que nunca viu a luz do dia.

 

 

Afinal o amigo Voltaire é que tem razão (se é que esta frase é mesmo dele…) – o óptimo é que é inimigo do bom.

 

Óptimo é escrever, partilhar e estar perto de quem aqui vem, mesmo que o conteúdo não seja assim tãooooo espectacular TODOS os dias (que é, obviamente!!!! ahah).

 

É como nós, na verdade.

Nem sempre estamos em dia “sim” e mesmo em dia “não” não podemos ligar a dizer que não vamos aparecer. É a vidinha!

 

Esta ideia, muito perpetrada pelos media sociais, de que temos que ter sempre alguma coisa óptima, extraordinária, fora de série para dizer retira-nos a energia e a confiança para simplesmente dizermos “olá”, nas mais diversas e aborrecidas formas que soubermos e pudermos.

 

Se calhar é só isso que precisamos – de dizer OLÁ.

É óptimo? Não! Mas é muito bom.

 

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Comments

  1. Ana

    3 Outubro, 2018 at 22:52 Responder

    O óptimo já alcançaste. O público é que tem tendência a gostar do medíocre e desvalorizar o que é bom.

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