BATE-PAPO

OS SÍTIOS SÃO AS PESSOAS

10 Maio, 2019

 

Ontem, quando saí do ginásio, depois de mais uma aulinha de dança com as minhas pessoas do coração, ia no caminho de volta para o trabalho a pensar que não há nada que bata aqueles momentos.

Sabemos que é uma grande “Lapalissada”, mas a verdade, verdadinha, é esta – os sítios são mesmo as pessoas.

Esqueçam tudo o resto. A nossa fidelidade e lealdade aos sítios onde nos enraizamos deve-se às pessoas que se cruzam no nosso caminho.

Contra as certezas, só há uma verdade!

Como dizia o outro: “Contra factos não há argumentos”.

Ora, vejamos:

  • O meu ginásio é espectacular? É!
  • O meu ginásio tem instalações de excelente qualidade? Sim!
  • O meu ginásio tem equipamentos de excelência? Tem!
  • O meu ginásio tem os melhores profissionais do mercado? Yep!
  • O meu ginásio tem uma vista de fazer inveja? Oh yahhhh!
  • Eu vou ao meu ginásio por todas as coisas que acabei de enumerar? NÃO!

 

Nunca mais me vou esquecer do que uma vez o Álvaro (Lopes) –  fundador da Jazzy, empreendedor, professor e um profissional do caraças –  me disse quando lhe perguntava, em plena crise financeira portuguesa, porque é que o ginásio continuava cheio, porque é que não tinham sentido um decréscimo de inscrições e porque é que continuavam a ter sucesso. Sem pestanejar, ele disse “são as pessoas”.

“Como assim?”, perguntei.

“É fácil”, disse-me.

“É muito mais fácil arranjarmos desculpas, no nosso dia-a-dia, para não irmos ao ginásio.”

Yep! You’re right on that!!! Quem nunca arranjou as desculpas mais esfarrapadas e mirabolantes para não por os cotos no ginásio que atire o primeiro halter. Até unhas encravadas no dedo mindinho do pé esquerdo apareceram miraculosamente. Vá-se lá saber!

 

“Se não tivermos uma ligação emocional com o sítio onde escolhemos treinar, nunca vamos conseguir criar uma rotina, atingirmos os nossos objectivos e sermos mais felizes”. Mas o Álvaro foi muito assertivo no remate à sua teoria. “Nada disso é possível se não nos ligarmos às pessoas”.

 

Amém to that! (mãos pró-alto!)

 

Ele concluiu: “Podemos ligar-nos ao professor e continuamos religiosamente a fazer as suas aulas (não é por acaso que quando um professor sai de um sítio arrasta consigo dezenas, se não mesmo centenas de pessoas com ele); podemos ligar-nos aos colegas de aulas; ou podemos ligar-nos aos funcionários, com quem estabelecemos relações pessoais e de confidencialidade. Temos é que nos ligar a alguém”.

 

Esta forma de embrulhar o nosso compromisso e a nossa dedicação ressuou em mim.

 

Por mais objectivos que tenhamos, rotinas, obrigações, trabalhos o que nos faz continuar são as pessoas que se cruzam no nosso caminho e dão “cara” às nossas experiências.

Não concordam?

 

Pensem bem no vosso local de trabalho. Se tivessem que sair, do que iriam sentir mais falta? Era do trabalho ou era das pessoas (algumas! ahahah).

Pensem em todas as outras actividades. Não é a mesma coisa?

Contabilizem, até, os sítios onde vão comer, o supermercado, os restaurantes preferidos. Sim, podemos ir lá pela comida, mas não ganha todo um outro significado quando as pessoas nos reconhecem, nos tratam bem e conhecem o nosso nome?

 

Não há como bater a riqueza e importância de uma ligação com os outros.

 

Poderia continuar a ir ao ginásio, apenas para cumprir com os meus objectivos e ter uma mente e corpo mais saudáveis, mas o que me leva a entrar por aquela porta cerca de 4 vezes por semana, mesmo com chuva, vento, stress e preocupações, são as pessoas que eu vou encontrar do outro lado.

É por mim que vou, mas também é por elas.

 

Mulheres de todas as idades (tão incrivelmente inspirador!) todas diferentes em forma e conteúdo, com contextos pessoais e profissionais tão díspares, umas mães, outras casadas, algumas divorciadas, umas mais introvertidas, outras mais atarefadas, umas loiras, outras morenas, umas sempre com pressa, outras que parecem ter todo o tempo do mundo. Todas ali a conversar, a gargalhar, a desabafar, muitas vezes.

 

Elas são mesmo um exemplo que comove. A forma activa, desempoeirada, divertida, positiva com que escolhem viver as suas vidas é inspirador.

 

 

Sabemos que só nos encontramos ali, unidas por aquele espaço físico, mas ligadas para lá daquelas quatro paredes. As nossas aulas são um bálsamo para a alma e não há um único dia em que não entremos no balneário felizes por teremos conseguido bater o ócio e as desculpas.

 

Se elas não estivessem lá eu continuaria a ir ao ginásio?

Provavelmente sim, mas não ia ser, de certeza absoluta, a MESMA COISA.

 

(*) Divinas, vamos estar na Academia até sermos assim!

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