COOLÓMETRO

QUANDO JÁ NÃO TENS IDADE PARA SAIR À NOITE A UMA QUINTA-FEIRA…

13 Abril, 2018

 

Ai a minha cabecinhaaaaaaaaaaaaaa!!!!

 

Porque é que nunca nos lembramos do dia a seguir quando, entusiasticamente, aceitamos, com um audível”wwwwooooo-hooooooo, claro que sim, claro que vou à festa, contem comigo!”, o convite para estar presente no primeiro dia, de TRÊS, de festejos de aniversário de um BFF!?!?!??!?!?!?! (quando ele casar, tiro férias!)

 

Queremos fazer bonito. Queremos ser fixes. Queremos parecer que temos 18 anos e ainda estamos frescos e fofos, cujas únicas preocupações são ir buscar os apontamentos da cadeira de Análise Sociológica à reprografia da faculdade. Mas NÃO! NÃO!

 

Quando chegamos a casa quase às 21h, depois de um dia de trabalho intenso, e és obrigada a pensar no que vais vestir para a saída à noite começa a surgir a primeira picada, ao de leve, na cabeça já triturada do dia e pensas: “vá, vá escolhe qualquer coisa”. Mas NUNCA é assim! Nunca se diz a uma mulher, mesmo inconscientemente, que vista “qualquer coisa”, isso não existe no vocabulário feminino.

 

Não há qualquer coisa, há “a coisa”, aquele modelito que sentimos que vamos causar, que sentimos que viramos cabeças, aquele vestido que “cai queixo”. Mas para isso é preciso tempo. Tempo, vontade e paciência. Três coisas que sabia à partida que não tinha ontem à noite.

 

 

Whatevs! Vou escolher qualquer coisa. Assim comá’ssim também não vou ficar muito tempo.

 

Yah, right… Que me dessem uma nota de 10 palhacinhos para todas as vezes em que acho que não vou demorar e acabo a chegar a casa às 5h da manhã. Estava rica!

 

Dica para escolher outfit-da-night quando não estamos nem aí: all black.

Escolham um vestido preto com uns botins pretos, umas calças alapadas ao pacote pretas com uma t’shirt ou um top, mas tudo em tons escuros. Porquê? Porque fica bem a toda a gente, não temos que nos preocupar muito com as conjugações e vai bem com todos os sítios e ocasiões.

Check! Calça preta mais túnica preta. Check!

 

Agora é só dar um…jeitinho… a este focinho amarfanhado do dia.

“Vou só por um pózinho”, disse ao Maridão que falava comigo à porta da casa-de-banho enquanto me arranjava.

 

PAROU TUDO!

O que é isso de “só um pózinho”? Acham mesmo?

Uma mulher na casa-de-banho a maquilhar-se é como um pedreiro a fazer reboco numa casa de luxo (gostaram do elogio?). Ele começa com uma visão simplista mas honesta, faz o cimento, mas assim que começa a alisar com a espátula encontra sempre uma fissura que nunca viu, uma amolgadela que não lá estava, uma imperfeição que precisa de corrigir desesperadamente.

 

Por isso, por “só um pozinho” é o mesmo que: afinal ponho corrector para tapar estes papos; também não vou sem nada nos olhos; vou só conjugar estas duas sombras; ai, agora tenho que por eyeliner; vou só finalizar com máscara para as pestanas; acho que estou muito branca… vou só por um bronzezinho; agora falta o blush; hum… o que falta mais? Estou a sentir falta de qualquer coisa…

 

Estão a perceber o drama? É a permanente obra inacabada do mestre. Nunca está bom. Nunca é o suficiente. Nunca é maquilhagem a mais (wink, wink!).

 

Neste fandango do “pózinho” deu para o homem discorrer sobre tudo o que tinha feito no dia, todos os projectos, dúvidas e ambições a curto, médio e longo prazo. Levou muito tempo? Naaaaaaaaaaaaaa! Ora essa!

 

Agora façam silêncio, baixem as luzes, concentrem-se porque vem aí o DRAMA DA ESCOLHA DOS SAPATOS!

 

No intimo, a mulher quer ir de rasos, ténis de preferência, para poder dançar, estar de pé a noite toda, poder movimentar-se livremente sem que os cotos estejam em chagas, mas na hora de escolher o dedo podre vai sempre seleccionar o par com salto mais vertiginoso só porque “fica tão bem com estas calças”…

 

E é um grande silêncio em homenagem à morte de mais um par de pés, cujos joanetes gritam em modo Braveheart – “freedooooom”.

 

Depois lá se vão os pés para o galheto, os joanetes ficam mais atiçados, os dedos mais tortos, a lombalgia começa em espasmos a insultar o meu discernimento, mas mesmo assim saio de casa confiançuda e desengonçada do alto dos meus 15cm. Mai’nada! Atão, assim é que está bom!

 

“Menina se queres ser bonita… SOFRE!”, era o que a minha avó me cantalorava e isto ficou cá a atormentar-me o subconsciente-consciente-sempre-inconsciente na hora de fazer estas escolhas estúpidas.

 

Enfim…

Lá chegámos à festa. O B.Leza estava on fire. Tínhamos pela frente três dj sets da Enchufada em mais uma edição de #NASURRA. Ai a minha vidaaaaaaaaaaaaaa! Começam os ritmos, começa aquela vontade de querer avacalhar tudo on the dance floor, mas…

 

Passado um hora de ter botado os cotos lacerados pelos botins que carreguei todo o dia surge a primeira vaga de indignação contida – “O que é que estou aqui a fazer? Podia estar alapada ao sofá, com a minha manta a ver a Passadeira Vermelha. Why?”

 

Mas não! Estava ali num misto de loucura a querer dançar toda e qualquer modinha que seguia e de velhice antecipada por semanas e semanas de trabalho non stop.

Bahhhhhhhhhhhhh! Eu não era assim! Quem és tu, corpo decrépito?!?!?

 

Cerrei os dentes. Engoli as dores. Afastei os pensamentos pensionistas da cabeça e dancei. Dancei literalmente até não poder mais. Afinal não era todos os dias que os meus BFFs vêm à capital curti-las e não é, certamente, todas as noites que temos oportunidade de ouvir e sentir sets de música com aquela qualidade.

 

Por isso, aguenta e não chora!

 

Não derramei uma única lágrima (a não ser de tanto rir), mas o que começou com uma profecia-auto-concretizável – “vou só ali para estar com eles um bocadinho” – acabou comigo a por as chaves à porta de casa às 4h da manhã.

#MIGASUALOUKA

 

 

Número de baixas:

  • Dois antigos e funcionais pés
  • Lordose em altas
  • Voz semi-rouca
  • Olhos inchados
  • Eyeliner medonho
  • Duas pernas pouco colaborantes
  • Sono em níveis preocupantes

 

Palmas!

Recebam com aplausos a mais recente membro do “Clube das Cotas-que-Acham-que-Ainda-São-Bué-Modernas-e-Têm-Juventude-para-Sair-a-uma-Quinta-Feira-à-Noite“.

(Som de assobios e aplausos!)

 

Estou que nem posso! E hoje diz que há mais…

Que se lixe, vou de ténis!

 

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