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AGOIRO TELEFÓNICO EM JEITO DE LIQUIDEZ FINANCEIRA

20 Abril, 2016

Isto acabou de acontecer. Escrevo-vos no rescaldo da conversa telefónica, mais surreal dos últimos tempos, partilhada entre uma empresa de crédito e a minha pessoa. Correcção! Não foi uma conversa, foi um monólogo de muito mau gosto por parte de um pseudo-vendedor de créditos. NÃO CAIAM NISTO!

Trim-trim-trim (som do telefone)

Eu: Estou?

(Do outro lado uma voz masculina, muito colocada, muito rápida e eloquente…)

Ele: Estou a falar com a D. Marta Neves de Sousa?

Eu: Sim, sim é a própria

(Por esta altura já sabia que era para vender alguma coisa, ou apresentar algum serviço, contudo por respeito às pessoas que fazem este trabalho nunca desligo, mas assim que posso aviso que não estou interessada e despeço-me educadamente. Porém…)

Ele: Daqui fala X, da empresa Y (não vou dar publicidade gratuita a este tipo de empresas). D. Marta Sousa não sei se está a trabalhar ou se está desempregada?

Eu: A trabalhar.

Ele: E já passou por alguma situação de desemprego?

Eu: Graças a Deus, não!

Ele: Que sorte! Que grande sorte! Mas sabe que mesmo para quem está a trabalhar a vida está difícil, as contas não param de chegar e muitas vezes as coisas complicam-se.

Eu: (Silencio… Achei que devia deixar o homem fazer o discurso catastrófico que era suposto para vender. Porém, ele continua galvanizado, num monólogo cada vez mais inflamado…) 

Ele: Não sei se tem seguro de saúde…

Eu: Sim, sim tenho. 

Ele: Pois, mas sabe que mesmo quem tem seguro de saúde as despesas não param de chegar e mesmo estando doente as coisas complicam-se. Uma pessoa vai para o hospital e o seguro cobre uma parte do internamento, uma parte das consultas, uma parte das fisioterapias, mas a pessoa fica mal na mesma. E o dinheiro para pagar a outra parte? De onde vem?

Eu: Pois, mas não estou interessada, obrigada. Estou muito contente com o meu seguro e não sinto necessidade de outro tipo de cobertura. Obrigada. Bom dia. 

(E achava eu que esta era a minha puch line de saída airosa da situação. Mas nãooooooooooo)

Ele: Já imaginou, está em casa e cai-lhe uma prateleira, como é que é? O seguro cobre isso? Não! Fica de baixa como é que é? De onde vem o dinheiro? Está a tomar banho, escorrega e cai. Deixa de trabalhar. É despedida. E depois? Como é que paga as contas? Tem que ficar em casa e as contas não param de chegar. Já pensou? 

(Neste momento estou num misto de incredulidade com estupefacção e muita vontade de rir. Continuo em silêncio, porque não consigo interromper o senhor que está completamente agarrado ao discurso da desgraça)

Eu: Sim, mas não estou interes…

Ele: (Interrompe) Não está bem a ver! Nós damos 300€ por mês, todos os meses e só tem uma mensalidade de 9€ mensais, sem fidelização, e tem sempre liquidez. Tem sempre este dinheirinho assegurado para um momento de aperto. 

Eu: Sim, mas não estou interes…

Ele: (Interrompe) Mas oiça! Percebe o que eu estou a dizer? Estamos consigo numa intoxicação alimentar ou num cancro.

(Oi?!! Como assim? Foi aqui que pensei que estava a ir longe demais nas analogias vendedoras)

Ele: Imagine, sai à rua e tem um acidente. É atropelada. E depois? Tem um acidente no trabalho. Cai. De repente aparece mais uma conta lá em casa, como é? Tem que ficar de baixa e quem paga as contas?

(Este foi o momento em que decidi que era o meu limite)

Eu: Muito obrigada pela sua explicação. Não estou interessada. Obrigada. Bom dia. 

Ele: Mas quem paga? Quem pega estas contas se estiver de cama doente?

Eu: (Aqui já com um tom de voz sério e p-da-vida) Se eu estiver doente e me aparecer uma conta para pagar é da minha total responsabilidade fazer face a essa despesa. Da minha gestão familiar e financeira não têm nada a ver com isso e só a mim me diz respeito. Se estou a dizer que não estou interessada e que não quero, gostaria que me respeitasse e que não insistisse. Obrigada…

Ele: (Interrompe) Sim, mas já imaginou ter este dinheirinho por mês, todos os meses? 

Eu: Obrigada. Bom dia. (Desliguei o telefone).

Opah, a sério! Que se passou aqui!? Que assédio foi este? Que tentativa mais farçolas e agressiva de vender um produto de crédito foi esta? Que discurso de desgraçeira foi este?! 

Por este senhor eu já estava morta e enterrada, sem emprego, de baixa, já me tinha caído uma prateleira, tinha tropeçado no chuveiro, tinha sido atropelada na rua, tinha tido um acidente automóvel, comido qualquer coisa estragada e ganhado uma intoxicação alimentar que quase me estragava os danos provocados pelo cancro que ele me deu telefonicamente. 

Foi assustador!! Quando no final, afinal, era apenas “mas já imaginou ter este dinheirinho por mês na conta”? 

EXACTO!

M.E.N.O.S! Muito MENOS!!! 
Sai agoiro telefónico! Sai! Acho que tenho que ir benzer o olhado, que este telefonema foi cheio de quebrante. Oh my! Vai de Retro! 

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Comments

  1. Sofia Marques

    20 Abril, 2016 at 13:57 Responder

    Lolol

    Uma vez a minha mãe fez a mesma coisa, tal e qual como você, mas o Sr. ligou-lhe de volta a dizer que era falta de educação desligar o telefone porque ele ainda não tinha acabado o discurso ahahahah

    1. Marta Neves

      21 Abril, 2016 at 9:25 Responder

      AHAHAHAH! A sério?!?!?!? No WAY!!!! Passava-me se isso me tivesse acontecido. Há com cada coisa a acontecer nos dias de hoje, que é simplesmente SURREAL!!!!

  2. MGG

    21 Abril, 2016 at 7:02 Responder

    Mesmo assim tiveste muuuuuuuiiiiittttaaaa paciência!!
    Mau olhado sai para lá!! 🙂

    1. Marta Neves

      21 Abril, 2016 at 9:24 Responder

      Ahahahahah!!! MESMO!!!! Eu só não bati logo com o telefone, porque o homem estava galvanizado!!! Era impossível interromper aquele discurso. My Jesus, Lord! Olhado SAI SAI SAI! Ahahahahahah!! SURREAL!

  3. Ela e Ele Ele e Ela

    22 Abril, 2016 at 20:02 Responder

    Cada vez é mais complicado gerir esse tipo de conversas. Mas é complicado também para eles que são treinados para fazer isso e estão a ser avaliados. Para nós é ridículo, mas para quem trabalha num call-center foi a execução perfeita.

  4. C. Meneses

    22 Abril, 2016 at 22:32 Responder

    Tb recebo dessas chamadas de X em quando e quando os números estão identificados atendo pois tenho amigas que trabalham em call center e não é fácil. .. no entanto este fulano enquanto me tentava convencer de um novo serviço … abriu a boca… bocejou com um ar de frete. .. mesmo à descarada… Eu perguntei .. desculpe mas o senhor bocejou e nem desculpa pediu??? É ele respondeu… efectivamente. .. desliguei na hora! !!!

  5. C. Meneses

    22 Abril, 2016 at 22:32 Responder

    Tb recebo dessas chamadas de X em quando e quando os números estão identificados atendo pois tenho amigas que trabalham em call center e não é fácil. .. no entanto este fulano enquanto me tentava convencer de um novo serviço … abriu a boca… bocejou com um ar de frete. .. mesmo à descarada… Eu perguntei .. desculpe mas o senhor bocejou e nem desculpa pediu??? É ele respondeu… efectivamente. .. desliguei na hora! !!!

  6. Catarina

    23 Abril, 2016 at 11:04 Responder

    A minha avó costumava receber chamadas dessas. Sabes o que fazia? Dizia só um momento que tenho a panela ao lume ou o ferro ligado. E depois deixava-os a falar sozinhos até decidirem desligar 🙂
    Outra questão é: como é que eles acederam aos teus dados pessoais? O telefone e nome são dados pessoais e a sua partilha está protegida por lei. Assim, poderás fazer uma queixa à Comissão Nacional de Protecção de Dados Pessoais, indicando o nome dessa empresa.

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