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Benfica Campeão | O Todo Pela Parte

18 Maio, 2015

Eu sou benfiquista (mas há outra opção!? Brincadeirinha!), vi o jogo de ontem com muita emoção em casa dos meus pais, casa super benfiquista, a comer caracóis e a gritar por cada ameaço de golo. Quando se deu o apito final e percebemos que éramos novamente campeões saltámos de alegria e foi a festa total. Não conseguimos ir ao Marquês, mas desde Setúbal até Lisboa, e já quando chegámos a casa, não conseguíamos desligar dos comentários ao jogo, das entrevistas aos jogadores e da festa que se estava a montar no Marquês. E que festa!

Antes demais quero dar os parabéns ao departamento de marketing do Benfica que está fortíssimooooooo. A estrutura que montaram em tão pouco tempo para receber os jogadores e permitir uma festa nunca antes vista, foi de se lhe tirar o chapéu. Clap, clap, clap.

Devia ter sido perto da 1h da manhã quando nos fomos deitar e os relatos eram de festa, loucura e comemoração. Nada fazia prever o que estava para vir. Quando de manhã liguei a televisão, como sempre, para ver as primeiras noticias do dia fui inundada por imagens e mais imagens de violência, agressão, carga policial, petardos, fumo, confusão, pânico instalado no Marquês. Mas como assim!??! Como é que uma festa, um momento que deveria ser de glória e comemoração acaba reduzido a estas imagens!? Como é que a festa do 34.º título do campeão nacional de futebol foi abruptamente interrompida por confrontos com a polícia?!

De acordo com dados avançados pela comunicação social, os distúrbios prolongaram-se por mais de uma hora e deixaram estragos. Pelo menos nove agentes da PSP ficaram feridos e 13 pessoas foram detidas, avançou a SIC Notícias nesta manhã de segunda-feira.

Claro que mal liguei o Facebook, havia milhões de comentários, na sua maioria de adeptos de outros clubes, que criticavam os do Benfica, no seu todo, pelo “mau” comportamento que exibiam, “tão típico deste clube”, esquecendo-se que este tipo de atitudes não escolhe cores da camisola. Infelizmente, este tipo de confrontos dá-se porque há adeptos, sem excepção de clube, que só querem confusão, e vêem nestes ajuntamentos o palco perfeito para exteriorizar parvoíce. Foi isso que aconteceu. Ponto!

Perante situações deste tipo há sempre uma carga policial. É normal. E, sim, há confrontos. Estes iniciaram-se no interior da multidão e a policia teve que intervir. Houve arremesso de garrafas e pedras contra a policia, sendo os confrontos entre adeptos e PSP controlados perto das 3h da madrugada. E é isto. Uma parvoíce que toldou os festejos e substituiu os títulos dos jornais, retirando protagonismo a uma vitória que deveria ter sido celebrada e não demonizada.

Mas a minha reflexão não acaba aqui. Não. É que também em Guimarães este jogo do Benfica deixou estragos. E estas imagens provocaram uma onda de indignação maior do que qualquer arremessada no Marquês.

As imagens do video que está a chocar o nosso país e a abrir jornais dão conta, já fora do Estádio D. Afonso Henriques, de dois homens que foram abordados com violência pela PSP, frente a uma criança que gritava. As imagens da CMTV mostram os dois a discutir e depois o adepto caído no chão, antes da detenção, frente a uma criança aos gritos, que será filho do adepto. As imagens são brutais, porque dão conta de uma situação que não deveria ter acabado, de forma alguma assim, com um pai a ser violentamente agredido, sem aparente razão, por um agente da polícia e um filho desesperado por ver o pai naquelas condições.

É de partir o coração… Isto não pode voltar mais a acontecer. Um policia não pode exercer assim o seu poder, só porque está num cargo que lhe confere autoridade. Por isso há o crime de abuso de autoridade, e uso impróprio de poder. Um polícia, mais do que outra pessoa, tem que ser capaz de manter a calma e apaziguar ambientes e não empolá-los.

Mas se por um lado, não podemos tomar o todo pela parte quando analisamos o comportamento dos adeptos do Benfica que provocaram desacatos no Marquês e extrapolar para o todo, dizendo frases ocas como “os benfiquistas são assim” ou “são todos da mesma laia”. Não não somos!

Também não podemos achar que todos os polícias têm este comportamento violento e agressivo perante um civil desarmado.
Eu quero acreditar que sim. E por isso é que prefiro perpetuar a imagem de um outro policia que abraçou a criança e confortou-a perante uma situação descontrolada e lhe devolveu a normalidade num gesto.

Só gostava de saber como é que está a criança de Guimarães e saber o que disse aquele pai aquela criança para justificar o acto daquele policia de forma a que esta criança não tema no futuro a acção de quem o devia, por principio, protegê-lo.

Não tomemos, então, o todo pela parte e que sejam apuradas as responsabilidades em sede própria. 

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