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CAMPEÕES EUROPEUS 2016 | A PERGUNTA DA NOITE: QUEM É SUSANA TORRES?

11 Julho, 2016

Depois da euforia da vitória, do histerismo do golo, dos gritos de apoio, foi tempo de acalmar e ver os festejos a acontecer. Como sempre o momento flash interview é um ponto obrigatório. O que dirão os jogadores, o que sentiram durante o jogo, o que pensaram nas jogadas mais difíceis, como viveram a vitória. 

Com as câmaras a postos, heis que surge o príncipe-improvável da noite, o anterior “patinho feio” elevado a orgulho nacional, Éder, uma das grandes figuras do jogo e o autor do golo da vitória.

Visivelmente emocionado (quem não?), tentava colar as palavras no meio da emoção para fazer sentido ao que de mais irracional existe – o festejo desmesurado e a alegria desmedida. 

Tentando justificar a exibição portuguesa, tentando fazer sentido às jogadas que já tínhamos esquecido, ficou-nos do seu discurso apenas algumas palavras – os agradecimentos.

Depois de ter agradecido à família que o apoiou, ao treinador que acreditou nele e que apesar de todas as criticas nunca desistiu da sua prestação, aos colegas de equipa que o ajudaram e incentivaram, ao Cristiano que sempre acreditou que ele ia fazer o golo da vitória, termina o seu (provavelmente) mais importante discurso da vida profissional com um especial agradecimento a “Susana Torres, mental coach de alta performance que me ajudou a chegar aqui. Acho que vocês deveriam conhecer o trabalho dela”. E sai de plano. 

Portugal fica em suspenso. Silêncio. Quem será Susana Torres!? O que é isso de “mental coach de alta performance”. 

Foi neste momento que eu e toda a minha família ganhámos mais uma medalha nessa noite. Uma vitória a favor daquilo que sempre acreditámos e há muito defendemos, porque uma de nós é igual a Susana Torres. 

Foi para nós uma vitória saber e ver reconhecido um trabalho que ainda é desconhecido não só do grande público, mas também dos que comandam grandes equipas e clubes. Foi uma vitória dos bastidores e do trabalho que se faz antes de se ser grande e vitorioso. 

A minha irmã, como já disse aqui num post no blogue (ela odeia que eu fale sobre ela), será a protagonista deste texto. Ela é a Susana Torres lá de casa. Sempre foi. Desculpa, mas eu vou ter que falar de ti…

Ela sempre amou desporto. Mas quando digo amou é mesmo de verdade, à séria, com todo o corpo, alma e coração. Desde sempre que me lembro de a ver com o meu pai a assistir a tudo quanto eram modalidades desportivas e competições internacionais. Ela sabia tudo. O nome dos jogadores, as tácticas, a forma de jogar, quem estava bem, quem estava mal, discutia tácticas com os meus primos, envolvia-se na competição. 
Papávamos tudo! Desde as competições de patinagem artística, até ciclismo, desde futebol, até hóquei em patins. 

Quando chegou a altura de escolher que especialidade é que ia seguir em Psicologia o seu coração não vacilou – ia seguir Psicologia Organizacional aplicada ao Desporto. E claro que brilhou! Acho que nunca a vi tão feliz como quando estagiou e trabalhou com as estrelas da escola do Sporting, na altura ainda a única escola que admitia este tipo de trabalho com psicólogos-estagiários. Foi grande nas suas pesquisas, descobriu um mundo que amou ao primeiro apito. 

Era vê-la todos os fins-de-semana abdicar das suas horas de descanso para ir acompanhar as equipas que seguia, só porque achava que tinha que lá estar. Se eles estavam, ela também estava. 
Era vê-la trabalhar horas e horas a fio a ver e rever jogos de futebol para melhor aconselhar os seus “clientes”. Era vê-la vibrar quando a sua ajuda, as estratégias que tinha planeado e programado para que conseguissem alcançar os seus objectivos davam os maiores e melhores resultados. Vestiu a camisola.

Acho que nunca a vi tão feliz e tão consciente do que queria e poderia fazer para o resto da sua vida. Teve a nota máxima da na faculdade, tornou-se Mestre na área, e quis seguir aquilo que a apaixonava. Porém, não foi assim tão fácil. Nada fácil, até. Na altura a função da psicologia do desporto ainda não era bem vista pelos clubes, muitos deles não queriam despender um único tostão para investir nesta área, desconhecendo totalmente os benefícios que uma boa equipa de psicologia, coaching e performance podem fazer pela liderança, coesão e talento de uma equipa. E nas minhas palavras e entendimento –  profundo e total desconhecimento e (muito) preconceito sobre a área, considerando-a menor e totalmente dispensável. 

O tempo foi passando e nenhuma oportunidade à vista. Toda a investigação que tinha feito, toda a dedicação, tudo o que fez e poderia ter feito pela área e pelos seus atletas pelo cano… Teve que enveredar pela área social para sobreviver, sem nunca ter esquecido a área do desporto. Como não consegue viver sem este bichinho foi sempre investindo em mais formação e investigação para se cumprir, para se realizar na área do coaching e da performance pessoal. 

Ontem, porém, foi um passo nesse sentido do reconhecimento. Ontem o herói do jogo invocou um nome que não é só o de Susana, é o de todas as pessoas que adoram esta área, que se dedicam a ela, que esperam uma oportunidade de trabalhar neste fascinante mundo do coaching e que precisam de uma oportunidade e de um reconhecimento. Foi também uma medalha para todos os que trabalham nos bastidores e que contribuem para o sucesso de cada jogador e de cada equipa. Porque é preciso retirar o melhor dos talentos individuais, porque é preciso gerir ansiedades e expectativas, porque é preciso gerir o nível de stress, as mudanças na carreira, a relação com a equipa, optimizar a performance desportiva, saber lidar com uma lesão ou com uma derrota. É preciso alguém que ajude, que dê alento, que saiba ouvir sem julgar nem criticar e que esteja lá para criar estratégias de sucesso e de felicidade. 

À minha Susana Torres, toda a força do mundo, a tua taça vai chegar um dia, este foi apenas o primeiro título. 

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Comments

  1. Ana Neves

    12 Julho, 2016 at 16:39 Responder

    Mana (nem sequer vou começar o comentário com o diminutivo que normalmente uso),

    Este texto que escreveste deixou-me verdadeiramente emocionada e já chorei um "UGLY CRY" à tua conta…
    Chorei porque revivi momentos, lembrei-me de coisas, voltei a sentir determinadas sensações e fiquei bastante nostálgica.
    Chorei porque precisei de exorcizar a minha passividade (que já estava reconhecida) mas continuava de certo modo alimentada.
    No fundo sinto-me grata, do fundo do meu coração, pois por vezes precisamos mesmo de um abanão no bundão (gosto de rimar) para mudarmos…
    Sister, a minha mudança começou a sério, ontem, quando li este texto. Não vai ser um sprint, porque vou apreciar a paisagem e vai-me saber tãooooooooooooo bemmmm!!!!
    Muito simplesmente não podes apenas parecer, tens de ser – não podes pedir que os outros potenciem os seus "talentos" quando TU PRÓPRIA não estás a viver o teu…
    Com o meu coração junto ao teu, os meus votos de amor e felicidade extrema. AMO-TE (agora punha aqui um coraçãozinho todo catita, mas não sei…LOL)

    1. Marta Neves

      13 Julho, 2016 at 15:20 Responder

      Oooohhhhhhhhhhhhhh sua biatch do coração!!!
      Não havia necessidade de bater um "ugly cry" à minha conta. Não carece! Não carece!
      Foi de coração e foi só mesmo para despertar almas. Se já serviu para dar um pontapé no dérriérre da tua – MISSÃO CUMPRIDA!!!!!!
      Já sabes que tens um senhor lá em casa pronto para esse despertar do Buda. Just saying!!! Ahahaha!
      VAI COM TUDO! Dá-lhe! e para o coraçãozinho é só preciso juntar o símbolo menos "<" com o "3", quase como o "junta a bolacha com o biscoitinho" da Ana Malhoa! #tamujuntas

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