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Crónica New in Town | Dior e (EU) – Um Must See para Fashionistas

9 Setembro, 2015

Ontem, a convite da ModaLisboa (obrigada! obrigada! obrigada!) fui ver ao MUDE, Museu do Design e da Moda, a ante-estreia do aclamado filme Dior e Eu. Adjectivo à cabeça o filme porque antes de o ver as minhas expectativas já eram muito elevadas. O New York Times classificou-o de “Fascinante”, a Variety de “Arrebatador” e os elogios seguem-se na passarela a um ritmo quase desconfiável. Mas não é! É tudo isso e muito mais. O The Independent descreveu-o como “Uma obra soberba de cinema que abre uma rara janela para um mundo desconhecido” e é exactamente isso que vamos encontrar no documentário de Tcheng numa ode à Casa Dior e ao seu legado, num momento de passagem dos esboços de um criativo para outro.

Diz a sinopse no leque improvisado que nos distribuíram à entrada do Museu que Dior e Eu leva o espectador ao mundo da casa de Christian com um acesso privilegiado aos bastidores da criação da primeira colecção de Alta Costura de Raf Simons, o novo director artístico da famosa marca. Para quem acompanha estas tricas do mundo da moda sabe que Raf assumiu a casa Dior, em 2012, depois da saída por despedimento de John Galiano no decorrer de um episódio muito triste (altamente comentado no mundo inteiro e nos tablóides) de anti-semitismo protagonizado pelo génio-costureiro que tinha futuro traçado numa das casas da moda mais importantes do mundo.

Com esta saída abrupta foi necessário ocupar o lugar. Mas quem? Como? Quando? Surgiu um nome. Um nome que não estava sequer nas listas mentais mais rebuscadas da marca, alguém que tinha o rótulo de minimalista, de construtor instantâneo de prét-à-porter – Raf Simons. E é neste preciso momento de intersecção entre a chegada de Raf a Paris, a sua apresentação à equipa de mágicos que criam sonhos e a concepção de uma colecção de alta costura em tempo record que baliza os olhos do espectador que, desde o primeiro frame, simpatiza com o aprendiz.

Para quem está realmente mais atento a estas coisas da moda, aos seus protagonistas, às dinâmicas e timings sabe que as semanas da moda são o acontecimento mais bombado e mediatizado para os comuns mortais. Contudo, para os deuses da moda existem momentos sublimes, de magia pura, aquando da apresentação anual das colecção de alta costura. Momentos de pura poesia em andamento na passarela, que nos fazem apenas sonhar, que ditam tendências, mas que acima de tudo, credibilizam as poucas casas de moda mundiais, onde se apura talento, onde se ganha muito dinheiro. É arte, mas também é mercado. É o tudo ou nada dos génios fashionistas, que como devem calcular coloca quem é criativo na berlinda da opinião e no pedestal dos editoriais.

Agora é que vem o twist deste documentário: temos um protagonista (Raf), temos uma acção (construir uma colecção de alta costura), temos o drama – fazer uma colecção de alta costura que demora, em média, 6 meses, em 8 SEMANAS. Sim, leram bem. 8 SEMANAS.

Da concepção ao desfile, o processo é um verdadeiro trabalho de abelhas obreiras e rainhas que costuram sucessos após sucessos, um verdadeiro trabalho de amor estóico que Simons coloca nesta demanda que avalia se ele é ou não capaz de estar à frente, sem minimalismos, da Dior e elevar o seu nome à superfície do seu legado.

Esta é a história mais realista dos bastidores do mundo da moda de alta costura que nos mostra que afinal a visão é apenas uma parte do processo, que a magia se faz diariamente nas catacumbas do glamour, com mulheres e homens empenhados em fazer história de batas brancas imaculadas. Mais do que um filme que nos mostra o processo criativo, este documentário é um elogio de Tchen às costureiras do atelier, nada menos mágicas do que as fadas-madrinhas de Raf Simons.

Não vou contar mais do filme, porque senão deixa de ser um review e passa a ser um spoiler, mas posso dizer que o final é emocionante, apaixonante e poético. O filme estreia a 10 de Setembro nos cinemas e como não há nada mais que eu possa acrescentar e que faça jus a esta viagem “perfumada” pelo incrível mundo da alta costura, posso apenas dizer que ele é um excelente pontapé de saída para os próximos dias de moda na nossa capital.

Por isso, apontem já nas agendas, dia 10 de Setembro temos o Vogue’s Fashion Night Out (quem não for é um ovo podre! Há festa, brindes e muitas promoções!) e de 9 a 11 de Outubro temos mais uma edição da ModaLisboa, desta vez sob a égide dos “Timers”, cuja campanha está bafo! Não percam!

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