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Crónica New in Town | Ir à Boleia num Avião Privado?! NO THANKS!!!!!

5 Agosto, 2015

Sim, eu sou a louca que não dorme na noite anterior a um voo, que pensa em várias possibilidades itinerantes para fugir à hipótese de andar de avião, tipo, tipo, “Como seria ir de carro até à Tailândia”? Esse tipo de coisas… Não entro num avião que esteja parado “a resolver um problema técnico”. Não. Para mim esse avião já era. Next! Não entro num avião sem ser com o pé direito. Não vou à janela, porque fico a discorrer mentalmente sobre os materiais de que são feitos os aviões, porque oscilam as asas, como levantou aquela parte do metal ou que barulho é aquele.

Sou a pessoa que assim que entra no avião começa a rezar a todos os santinhos e mais alguns. Sou a pessoa que dá sempre, sempre, a mão à pessoa que está sentada ao seu lado, mesmo que não a conheça (pormenores, pppffff…), para descolar e aterrar o bicho.

Sou a louca que não consegue dormir no avião, por mais horas que o voo tenha. Estou permanentemente em alerta, estilo Águia Vitória a sobrevoar a bancada da JuveLeo com medo de levar com um petardo pelo focinho, ou, ou… como uma veado que está cego pelos faróis de um carro no instante antes do embate rodoviário. Estão a sentir a vibe, não estão? Mas fora isso viajar comigo de avião é TOP… só que não!

Porém, se se quiserem divertir a gozar com alguém, prometo horas de pequenos grandes tesouros humorísticos ou…degradantes, como quiserem chamar. Tomo algum drunfo para ir K.O nas viagens? Não! Nunca me passou tal coisa pela cabeça. Porquê? Porque tenho a mania de que “tenho que controlar os meus medos” e sou “au natural”. Está a resultar muita bem! Oh, se está! Palminhas para mim.

Mas por que raio eu tenho esta panca por voar!? That’s the million dollar question, my friends!

Não tinha propriamente este medo de voar até à minha vinda de Nova Iorque em 2011. Era uma coisa que me deixava desconfortável, não era propriamente um walk in the park para mim, mas a coisa era pacífica.

Até que no verão de 2011, após umas férias de sonho em Nova Iorque, no voo de regresso a Lisboa a coisa piou fininho. Entre gritarias e vomitados, vi a minha vidinha a andar para trás, ou melhor, para baixo em alta velocidade.

A viagem para lá foi super, hiper, mega pacífica e, pela primeira vez na vida, até que dei uma semi-cochilada a ver um filme. Inédito. Contudo, na viagem para cá a história foi outra. Durante a maior parte da travessia houve sempre turbulência, agitação, desconforto. Não foi uma viagem tranquila. Havia sempre qualquer coisa. Até que passamos pelos Açores… E antes de fazermos a aproximação ao continente aconteceu este belo cenário:

A turbulência começou a aumentar. As luzes apagaram-se totalmente (o que para uma pessoa como eu é bem legal. NOT!). As hospedeiras foram-se embora. Nunca mais as vi. Mandaram apertar os cintos e, disse para mim, “Reza, Marta. Reza!”. A porrada intensificou-se. O avião parecia de plástico no meio daqueles socos aéreos. E de repente… QUEDA LIVRE. Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!!!

Sabem aquela sensação de poço de ar, mas em verão XXL, tipo, Magic Mike?! Foi o que aconteceu. Era como se o comandante tivesse largado os comandos no cockpit porque lhe tinha dado uma cólica. O avião descia vertiginosamente, sem controlo até parar de repente, como se nos tivessem segurado, por sorte. Depois mais turbulência e mais uma queda sem amparo. Foi assim umas poucas de vezes. Foi a sensação mais horrível e estranha de sempre. Era pura queda livre. Uma volta agressiva no “Canguru Louco” da Feira de Santiago. Mas o maior dos meus problemas eram os sons vividos dentro do avião: Crianças a chorar, pessoas desesperadas, gritos, lamurias, rezas em diversas línguas, um caos.

Para ajudar à festa, que estava sentada naqueles bancos de quatro (porque éramos quatro) centrais do avião, tinha do meu lado direito um casal americano e na outra ponta dois amigos que passaram a viagem toda a beber garrafinhas de álcool. Já estão a ver o filme. Mal o avião performou a sua primeira queda livre, o conteúdo das garrafinhas saiu, directo, para meio do corredor, o que provocou um odor daqueles fantásticooooooooossss. Parecia que estava numa excursão da primária, onde havia sempre alguém que vomitava o leite com chocolate da manhã.

Do meu lado direito, a rapariga americana entrou em desespero total e mal o carrossel começou ela ditou a lenga-lenga: “Oh my Goooooooooooooooood!!! We’re gonna die!!!!!! We’re gonna dieeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee”. Agora imaginem isto gritado, em soprano-avançado, com o namorado sempre a pontuar a ária com um “Shut up! Shiuuuuuuuuuuuuuuu! Shut Up!”. Agora várias vezes. Hum… que bonito, não é? Música para os meus ouvidos. Eu só não sabia se havia de aplaudir na cara do senhor (em modo, levavas umas bofas na cara) ou se havia de acalmar a mulher dele, porque claramente, ele não estava a conseguir.

Depois de ter temido (à séria) pela minha vida e de ter feito a aproximação ao continente mais assustadora da minha vida, lá aterrámos, com muitos abraços e beijos à mistura, com ovação de pé e saída supersónica do avião. Ufa! Desta já nos safámos. Tenho a certeza de que para muitos isto não passou de brincadeirinha de amadores. Tenho a certeza que deve haver histórias realmente assustadoras, mas para mim e para nós, os que partilhamos aquele voo, a viagem foi M.E.D.O.

Feitas as apresentações há que falar realmente daquilo que interessa. Meus amigos-empreendedores-dos-transportes, folgo em saber que querem revolucionar a forma como nos deslocamos no nosso país à beira-mar plantado, com uma aplicação para ir à boleia num avião privado, estilo Cristiano Ronaldo da Moita.

Ainda não conhecem esta aplicação? Chama-se Skyüber e é uma empresa portuguesa que quer pôr pilotos a partilhar os lugares que tenham livres – e a dividir as despesas – em viagens já programadas. Não tivesse eu medinho dos ares e até que me aprecia uma ideia muito chique.

Então, mas agora a Uber, já não lhe bastava a luta em terra para conquistar o seu lugar ao sol e ainda tinha que se ir meter nas nuvens?! NOP! Apesar do nome, a empresa não tem qualquer relação com a Uber, a aplicação que permite chamar um carro com motorista. E também não pretende ser uma versão de baixo custo das empresas que já existem e que alugam jactos privados, nem concorrer com as companhias low cost. Na verdade a empresa não se considera uma empresa de transportes. mas antes um “serviço de reservas”. Faz sentido.

Digo, eu assim pela força dos nervos, que esta opção, que estará disponível ainda este mês, deve ser muito apetecível pelos verdadeiros apaixonados da aviação, que querem voar de forma privada, com partilha de custos e sem fins lucrativos.

Tal como acontece com os motoristas da Uber e os quartos do Airbnb (dos quais eu sou fã, fã, fã), nesta aplicação, será possível classificar os pilotos, numa escala que vai de uma a cinco estrelas. Mas estes também podem classificar os passageiros. E podem mesmo recusar fazer um voo, a qualquer momento e sem ser necessária uma justificação. Neste caso, não é cobrado nenhum valor.

Por isso apontem aí esta ideia, que eu não duro sempre e naquele voo, acreditem, achei mesmo que não!

Viajar em chiqueza, num jacto privado está quase ao alcance do comum dos mortais. Uépáaaaaaaaaaaaaaaaaa. Ideia boa, sim, sra.!

BOAS FÉRIAS, BONS VOOS e BOAS VIAGENS!!!!!

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