DICAS

É OFICIAL: NÃO HÁ MOCHILAS GIRAS PARA JOVENS ADULTAS COM ESTILO

20 Setembro, 2019

 

Só para que não restem dúvidas, a “jovem adulta com estilo” sou eu, ok? Eu percebo que o “adulta” vos tenha confundido, por causa da minha cutis impecável, mas na verdade sou eu.

Desmistificada esta primeira questão, tenho a dizer-vos que estou perplexa.

 

Investidores deste país, pessoas empreendedoras da área da moda, estilistas, descobri um “gap” no mercado. Atentem:

NÃO HÁ MOCHILAS DE JEITO PARA MULHERES ADULTAS.

Obrigada, bom dia!

(Quem me quiser financiar para discutirmos esta ideia e, especialmente, por ter levantado este tema pu’demais pertinente, esteja à vontade para mandar mensagem privada para agendamento uma reunião. De nada!).

 

Desde que me mudei para a Margem Cool (ainda é ridículo continuar a dizer isto?) e que sou frequentadora assídua de transportes públicos, especialmente do comboio, percebi várias coisas:

 

  1. As pessoas que saem logo na primeira paragem a seguir à ponte, são as mesmas que estão sempre de rabo sentado à janela, proporcionando o momento mais irritante de sempre – fazer com que todas as pessoas tenham que se incomodar, que se levantar e que se mexer, porque suas excelências tinham que se sentar e, justamente, à janela. Porquê? Porque também pagaram bilhete, logo podem sentar-se onde quiserem. Justo, porém super IRRITANTE. Pensem nisso, malta. Se apanhei o comboio em Sete Rios e vou sair no Pragal, se calhar, assim pela força dos nervos, para um trajeto de 10 minutos não preciso de comprometer a viagem das pessoas que só vão sair dali a meia hora. #FICAADICA;
  2. Que os telemóveis, com as suas redes sociais, com os Netflix desta vida, com os jogos online e os podcasts estão a ser as grandes companhias dos utilizadores dos transportes públicos. Coitadinhos dos livros, mas é verdade. Não tenho estatísticas científicas para vos apresentar, mas empiricamente falando, mais de 90% das pessoas no comboio e no metro estão de olhos postos no pequeno ecrã. Assustador, porém quem trabalha na área digital e com a internet respire fundo, porque o seu futuro está, claramente, assegurado;
  3. Neste seguimento, posso dizer-vos que às vezes até me sinto mal porque sou a única pessoa que está a olhar para a paisagem ou a contemplar as vistas. O resto das pessoas, maridão incluído, devem ficar a olhar para mim com um ar de “coitadinha, comprou ontem o passe e está a ser achar isto o máximo”;
  4. Mais uma vez, não tenho números formais, mas em modo “olhómetro”, pude perceber que mais de 65% das pessoas no comboio levam numa mão o telemóvel e na outra a sua marmita. Confesso que esta evidência me deixa muito feliz. Lembro-me de há muitos anos atrás, também a morar temporariamente na margem sul, ia para a produtora onde trabalhava em Lisboa de marmita em punho, para conseguir poupar uns trocos, e de não ser uma prática muito partilhada pelos meus colegas. Aliás, noutros ambientes mais “corporate” onde já trabalhei, levar marmita é quase uma heresia. Contudo, com a mudança dos tempos, a crise financeira pela qual passámos (e que ainda subsiste…), a busca por uma alimentação mais saudável e a clara evidência de que cozinhar em casa, levar os restos para o trabalho no dia seguinte, permite-nos poupar imenso dinheiro, fazemos refeições mais “à nossa medida” e não desperdiçamos tanta comida. É REAL. Palmas! Como a moda-das-marmitas já é coisa de uma passado recente, a indústria da moda adaptou-se e criou muitas alternativas económicas, giras e práticas para acondicionarmos em grande estilo a nossa comidinha do dia.
  5. A maior parte das pessoas que se desloca diariamente nos transportes vai super carregada. Eu, então, já olhei para a minha figurinha antes de sair de casa e pensei “ai filha, tens de dar um rumo à tua vida, que assim nã’tás’nada’capaz”. É o saco do treino num ombro, é a mala com o computador pendurada no outro, é a mala com a carteira, as chaves e os carregadores à tira-colo, e a marmita lá tem de ser enfiada à bruta no saco que tiver menos tralha. O homem já gritou comigo, já gozou com o meu estado calamitoso e já me fez um ultimato – “Marta, esquece os sacos e saquinhos. Tens de comprar uma mochila que dê para colocares a roupa do treino, os ténis, a marmita, o computador e um livro”. Anui, com a certeza de que ele tem toda a razão. Preciso desesperadamente de uma mochila.

 

Agora, que tentei justificar em 5 pontos a necessidade de comprar mais um item para o meu espólio fáshión, lanço-vos o desafio: encontrem-me, por favor, uma mochila de jeito, com espaço para tudo isto que vos disse, com algum estilo, contudo sóbria e que se adapte à maior parte da nossa roupa, no dia a dia, que seja própria para entrar numa reunião e cool para poder sair à sexta-feira e ainda dar uma volta no Chiado, sem pensarem que acabei de sair do Externato Cinderela, porque fui lá fazer uma baixa.

 

Vou poupar-vos o trabalho. Flash news: NÃO HÁ!!!!!

 

Não há. NÃO HÁ, bebés!

Ou são todas coloridas, ou são demasiado masculinas, ou são minúsculas, ou são grandes trambolhos. Estou a perder as esperanças.

HELP! Ajudem aqui a contribuinte, que só queria ir mais compostinha nos transportes, mandar aquela grife abusada no trabalho e sentir-se confortável, sem ter de matar alguém nos bancos do comboio, porque tentei passar para o assento da janela com três pessoas sentadas no mesmo cubículo, com três sacos pendurados nos costados.

 

Estas é que são as grandes questões da vida.

Conto com vocês. Não me falhem!

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