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FENÓMENO | “OS TREINADORES DE BANCADA” NO GINÁSIO

29 Novembro, 2016

Já sabemos que eles existem. 
Aparecem nas mais variadíssimas ocasiões e em número abstracto. 
Onde quer que uma pessoa vá há sempre aquele “treinador de bancada” que dá o seu contributo, que manda o seu bitaite, que dá a sua laracha, que lança o seu comentários. 

Até aqui tudo bem, até porque se for para ajudar a malta agradece. Acontece que porém, todavia, contudo, na sua maioria as indicações estratégicas dos “treinadores de bancada” são na sua maioria… dispensáveis. 

Momento #TRUESTORY do dia:

Normalmente tenho as minhas semanas de treino todas organizadinhas, definidas, devidamente estipuladas (eu sei, eu tenho TOC). À segunda faço isto, à terça faço aquilo, na quarta vou à aula X, na quinta já faço o treino Y e acabo a sexta a fazer a aula W. 

Porém, muitas vezes, por causa do trabalho, de reuniões ou de compromissos que surgem à última da hora os treinos têm que ser reajustados. Comé’óbvio!

Aconteceu-me isso na sexta-feira. Como tinha um jantar de aniversário muito especial tive que faltar à minha aula de dança à noite. Vacilei? Não, nada disso! Fui na mesma ao ginásio na minha hora do almoço para compensar os estragos que ia fazer mais logo. É assim, a Lei da Compensação da Vida! Nós comemos de um lado, temos que queimar do outro. 

Como não era a minha hora normal de ir ao ginásio à sexta-feira tinha duas opções: 1) Correr e fazer um treininho funcional; 2) ou  ir à aula de spinning que estava a começar. 

Decisions… decisions… 

Fui à aula de spinning! What?! Disclaimer: Eu ODEIO as aulas de spnning. Normalmente fujo de aulas ou desportos que tenham sempre o mesmo movimento ou que sejam repetitivos. Mas porque raio é que fui à aula?! Porque apesar de não ser uma modalidade que gosto, as aulas de spinning têm duas particularidades que eu estava a precisar em barda: 1) não pensar em nada (estava lá o professor a orientar e por isso não tinha que pensar nos exercícios); 2) a musica é sempre do best, está sempre em altos berros e eu posso cantar sem parecer uma louca. 

Estava decidido! Aula de spinning aqui vou eu! E fui!

Lá me sentei na bicicleta, ao lado de um senhor e de uma senhora. Os dois muito compenetrados. Notava-se que eram habitués da classe. Comecei a pedalar. Nota: eu finjo sempre que estou a mexer na carga da bicicleta. Na verdade quando ele sobe ou desce eu vou sempre em modo “leve que nem uma pluma” para o cimo da montanha e mais além. Sou a pior, porém a mais divertida! 

Pumba. Pumba. Pumba. Pumba. As músicas sempre a bombar e eu a delirar na cantoria. Parecia que tinha sido de propósito. A selecção musical mais parecia um revival dos meus tempos de mocidade em Setúbal no KGB. O Dj Set era praticamente o mesmo. Era só darem-me uma vodka com laranja e estava perfeito! Loucuraaaaaaaaaaaa. 

Passadas duas faixas, a meio da terceira, oiço, vindo do meu lado esquerdo onde estava o senhor-profissional-das-pedaladas, um “assim não estás a trabalhar”. Oi? Será que é para mim? Olhei de soslaio para onde vinha o som e lá ele repetiu “Assim não trabalhas tanto. Tens que parar no número dois em cima sem mexer muito o corpo. Assim (e demonstra como se faz)”. Say what?! 

Amigo, pensei cá para as minhas leggins xuxuadas ao pacote amassado no selim, quero lá saber do número dois, do três ou do um, claramente estamos aqui por diferentes razões. Tu estás pela camisola amarela eu estou pelo bar aberto, ok? Isto foi, claro, o que pensei, Na verdade o que me saiu foi um sorriso condescendente n.26, naquela do “sim, sim, pois, pois, deixe lá estar”, sabem?!

Passou mais uma faixa e lá voltou ele a mandar mais umas chalaças de bancada. Oh, que merda é esta páh?! Uma pessoa vem aqui para se distrair, vá, para cantar (que é o meu caso) e para não ter que pensar em nada e estou aqui a ser corrigida pelo Lance Armstrong das bicicletas estáticas?! Na, na, nim, na não! Não! Fiz mais uma vez a cara de 749 e esperei que os comentários tecnicistas acabassem na próxima faixa. Mas nãooooooooooooooo! 

O senhor continuava. Oh meu Deus do céu! #CORAGEM! 
Tornei-me no projecto ciclista da hora do almoço deste cavalheiro. O que começou como uma bela aula para desopilar acabou comigo atenta a todos os pormenores da minha pedalada, posicionamento do meu corpo e força de core, para ver se não descarrilava da montanha a baixo e se acabava com a camisola amarela da simpatia. 

Havia necessidade disto? Claro que não! Claro que não havia!

Por isso é que queria fazer um aviso à navegação: 

Deixem estar as pessoas no ginásio ou em qualquer lugar a fazer o que raio lhes passar pela cabeça, porque nunca sabemos verdadeiramente o porquê de estarem ali. Eu só queria fingir que treinava e cantar como uma louca. Just that… Por isso, “Bitch don’t kill my vibe”!

No próximo episódio do “Fenómeno” vamos abordar o tema dos pseudo-polícias de parques subterrâneos. Muita carninha do lombo a chegar do -1.

Obrigada. 
Bom dia. 
Agora vou ao ginásio. Wish me luck!

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Comments

  1. Vee

    30 Novembro, 2016 at 11:39 Responder

    morri de riso agora. tens que treinar melhor a tua "fuck off" face para tal coisa não acontecer. ou melhor, dar-lhe do mesmo veneno. acho que estou a trabalhar mais do que o sr nao? ficam para morrer.

    1. Marta Neves

      30 Novembro, 2016 at 12:40 Responder

      AHAHAHAHAHAHHAHAAHA!!! Completamente! Tenho que treinar mais essa cara. A sério, como assim?! Morri! Uma pessoa só queria ir ao ginásio fingir que se treina e cantar alto e acaba a correr a Volta à França. Não há direito! ahahahah!

  2. Catarina

    17 Dezembro, 2016 at 8:46 Responder

    Ah ah ah! Eu também odeio aulas de spinning e nas vezes que fui, fiz exactamente o mesmo que tu: fingir que estava a mexer na bike :-p
    Por acaso escrevemos este post sobre as coisas que nos tiram do sério no ginásio mas esqueci-me dessa: http://6800milhas.blogspot.com/2016/10/10-coisas-que-nos-tiram-do-serio-no.html

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