BREAKING BRIDAL, TREND

MEGHAN & HARRY: O CASAMENTO REAL(IDADE)

21 Maio, 2018

 

Que fim-de-semana foi este?! Eta animação televisiva!

 

Ele foi casamentos reais, ele foi jogos polémicos, ele foi passadeira vermelha do Globos de Ouros. Realmente S. Pedro tem resquícios jocosos, com dois dias tão bonitos e uma (v)ssoa quase que é obrigada a ficar em casa ligada com soro em frente à TV. Ninguém merece.

 

Mas eu fiquei! Shiuuuuuuuuu!!!

Como tenho que começar os comentários por algum lado, vamos fazer o de-briefing por ordem cronológica. Valeu!?

 

No sábado de manhã deu-se-me a vespertina e a alvorada bateu perto das 9h, quase como se o meu relógio interno tivesse tocado o alarme da fofoquice. Liguei logo na TV e estive a acompanhar a emissão especial do Casamento Real em frenético zapping. Ora ia da SIC para a TVI, da TVI para a RTP da RTP para a BBC e da BBC para o E! Channel. Muito cansativo.

 

Pausa no resumo alargado para fazer uma menção honrosa. De todas as emissões que vi, e que foram muitas, eu tenho que tirar a minha capeline rendada postada em diagonal para a emissão do Goucha e da Judite de Sousa.  Eles foram a dupla de comentadores que esteve mais tempo em directo nesse dia. Desde as 8h da manhã, repito, desde as 8h da manhã até às 15h da tarde. Noves’fora’nada, vezes infinito dá qualquer coisa como 7h de emissão EM DIRETO, non stop.

Até podemos achar que faríamos uma coisa daquelas, que tínhamos arcaboiço de parlapié para encher chouriços televisivos, e eu até me considero uma boa empregada de charcutaria-do-nada-e-do-tudo, mas aqueles dois não!

 

Deram uma abadinha de contexto, história e protocolo de deixar cair o queixo. O que é que foi aquilo? Tiveram aulas intensivas com o protocolo real durante dois meses seguidos? NÃO! É outro nível! É outro campeonato!

 

Eles sabiam T.U.D.O!

Desde pormenores da história real britânica e europeia que faziam qualquer professor de história corar de admiração; desde dados específicos da arquitectura da capela de S. Jorge; desde árvores genealógicas de linhas de sucessão monárquicas da Europa e afins; desde notas de protocolo que nem a casa real se lembra; desde comentários sobre a vida pessoal e affairs amorosos dos convidados; até à enumeração dos designers responsáveis pelas penas de alguns dos chapéus das senhoras da alta sociedade.

#FOIDEOUTRONÍVEL

 

E vocês dizem: “Ah e tal, muito bem, mas eles tinham aquilo tudo escrito num teleponto perto de si, com ajuda de imagens e realização, bek, bek, bek pardais ao ninho”.

(Som de botão de errado)

Nada disso! Não havia teleponto para ninguém. Aquelas duas alminhas iluminadas estavam plantadas em frente ao Castelo de Windsor, onde decorreu a cerimónia religiosa, numa zona circunscrita à comunicação social, em modo “me, myself, and Judite”, só com umas notas na mão, uma escuta de realização e um câmara a filmar.

#NÃOFOISUR(REAL)

 

Posto esta vénia profissional, com uma pontinha de inveja-branca, passo ao comentário propriamente dito do casamento mais badalado dos últimos tempos.

 

Ora bem (estalo de língua!), se achávamos que o facto do Príncipe Harry, o enfant terrible da monarquia britânica e o solteiro mais cobiçado das famílias todas poderosas do mundo, estar a casar com uma plebeia, divorciada, mais velha do que ele, afro-americana e actriz de Hollywood era motivo suficiente para ligarmos a televisão e vermos em directo a chapada-de-luva-branca de realidade na cara da monarquia-bafienta-europeia, a cerimónia foi de tal maneira surpreendente que superou qualquer intuito de inspirar. Ela fez HISTÓRIA.

 

Agora vou dar uma de Goucha com fun-facts para partilhar!

 

A começar pela maior informalidade da cerimónia, uma vez que Harry sendo o quinto na linha de sucessão não tem direito a uma boda de Estado, o agora casal Duques de SusSEX (desculpem, mas tinha que fazer esta piadola), optou por realizar a cerimónia religiosa na histórica capela de S. Jorge, no Castelo de Windsor, que foi casa da família britânica durante séculos.

 

A ideia era fazer um casamento mais “simples”, mais intimista, com a presença dos amigos mais chegados, sem chefes-de-estado, outros elementos da monarquia e sem antigos governantes. Check!

 

E à hora protocolarmente marcada lá começaram a desfilar os convidados.

Desde Victoria e Beckham (eta mulherzinha sorumbática mesmo com um homem daqueles ao lado #nãodávalor), ao elenco da série Suits (giros), a Serena (linda no seu Versage cor-de-rosa), passando por Amal e George Cloney (ela leva a coroa da melhor vestida de todo-o-sempre, arrasou na arte de boca-aberta), até Oprah (maravilhosa no seu Stella Mccartney)!!!!!!

 

 

 

Quase sem grande pompa e circunstância os dois irmãos-príncipes caminharam soltos e alegres até à entrada principal da Capela. Um o anunciado rei, o outro o rei do povo.

 

 

A 15 minutos do inicio da cerimónia, marcada para as 12h, começaram a chegar os elementos da família real britânica. Um a um chegaram à capela com o seu ar de sempre. Cinco pontos para a leveza com que se apresentaram neste casamento. Foi a primeira lufada-de-ar-fresco daquela manhã tão solarenga (abençoada!).

 

Carlos, Camila e Kate com os meninos-pajens, que foi depois muito criticada pela reciclagem do vestido Alexander McQueen do baptismo de Charlote para o casamento do cunhado. #torcerdenariz #pediamais

 

 

Do seu Bentley brilhante saiu a última e mais importante convidada antes da chegada da noiva – a Rainha.

No seu conjunto saia-casaco verde-lima-bomba arrancou os primeiros gritos descontrolados da multidão que assistia, de fôlego suspenso, à história de amor mais improvável da monarquia moderna. Ligeirinha caminhou por entre os convidados, que se levantaram à sua passagem, até ao seu lugar marcado.

 

 

Neste momento já vislumbrávamos um carro antigo, em velocidade acelerada, a cortar metros no asfalto de gritos e acenos sentidos. Meghan e sua mãe seguiam sorridentes no carro, tentavam passar despercebidas no carro mais tele-vigiado do momento.

 

 

À chegada, saiu primeiro a progenitora da nova duquesa, num Oscar de la Renta verde água, com alguns bordados, brinco no nariz e rastas cuidadosamente apanhadas. Linda e luminosa, subiu sozinha a escadaria e caminhou emocionada para o seu lugar na capela.

 

Minutos depois, o tão aguardado momento.

O carro postado em frente à capela, abre a porta de trás e sai de lá Meghan envergando o vestido que, depois de tantos e tantos meses de rumores, todos queríamos ver. O que seria? Como seria? Quem seria o estilista?

 

Do carro antigo, pesado de história, sai o minimalismo e a elegância dos novos tempos.

Meghan Markle escolheu para seu vestido de noiva uma criação de Clare Waight Keller para a casa Givenchy, a primeira estilista britânica à frente desta casa icónica francesa.

 

 

Sozinha saiu do carro, ajeitou o vestido sem rugas nem pregas, subiu a escadaria exterior deixando cair o longo véu que lhe cobria a cara e deixava perceber o trabalhado em homenagem aos 53 países da Commonwealth. Para compor o look nupcial juntou uns brincos e bracelete da Cartier e envergou orgulhosamente a tiara de diamantes que pertencera à Queen Mary.

 

 

Quebrando totalmente o protocolo, Meghan Markle fez o primeiro statemente de mudança do dia, caminhou firme e serena, como só uma actriz conseguiria fazer (como se de um papel se tratasse), a primeira metade da capela de S. Jorge. Depois das polémicas que envolveram o seu pai nas semanas que antecederam o casamento, Meghan provou aqui o seu poder e a sua determinação. Não precisa de nada nem de ninguém para cumprir o seu destino. Como qualquer mulher moderna, não precisou que nenhum homem a entregasse, ela foi lá e concretizou-se sozinha, ou não fossem as causas feministas a sua bandeira de eleição.

 

 

Assim que chegou ao coro, Carlos esperava-a em símbolo de aceitação e boas-vindas à família real para, de braço dado, caminharem os dois, o novo e o velho, até ao altar onde Harry já a esperava em modo-Bonga – com uma lágrima no canto do olho. #quelindo

 

A partir daqui foi tudo uma névoa para mim. Literalmente. Chorei com a mãe da noiva que se emocionou como qualquer mãe se deve emocionar neste dia único. Chorei com o sermão do Bispo Curry da Igreja Episcopal de Chicago, o primeiro Bisco negro a presidir a uma cerimónia real. Fez um discurso absolutamente arrebatador, cheio de simbolismo, cheio de amor, que falou de paixão, de compaixão pelo outro, de respeito, de solidariedade, que também tocou na escravatura, no poder redentor do amor e que evocou Martin Luther King, Jr.: “We must discover the power of love, the redemptive power of love. And when we discover that, we will be able to make of this old world a new world. Love is the only way.”

 

No final do sermão, um grupo britânico de gospel pontuou a rendição de amor e assinou por completo o nosso coração rendido com a música “Stand by Me” do compositor americano Ben E. King.

Foi de arrepiar!

 

 

Depois dos votos trocados e das palavras seladas, seguiu-se um compasso de espera, com os noivos e os respectivos pais a desaparecerem do nosso olhar, para assinarem o processo matrimonial num local sem câmaras.

 

O interregno foi preenchido com música clássica numa interpretação GENIAL feita pelo prodígio Sheku Kanneh-Mason, um violoncelista de 19 anos que ganhou a distinção BBC Young Musician of the Year Award em 2016, o primeiro negro a ganhar este título.

Sheku foi convidado depois do casal o ter visto numa actuação, em Junho passado, num evento de solidariedade para a Halo Foundation.

 

 

Confesso que quando tocou o Avé Maria de Schubert me esbardalhei toda. Não consegui. Foi lindo, lindo de mais.

 

A cerimónia que teve tanto de incrível, como de emocionante, terminou com o hino à Rainha, numa clara vénia à entrada desta nova mulher para a família real e no casamento perfeito entre a tradição britânica e todo o banho de modernizada e realidade dado pelo lado americano da boda.

 

Nunca pensei testemunhar aquilo que vi no sábado de manhã, no meu sofá, de pijama, a quilómetros de distância da história a acontecer, com os olhos marejados de lágrimas. E acredito que nem eu, nem muitas personalidades que estavam naquela capela.

 

Nunca pensei ver aquele padre, que foi enviado, proferir as palavras que pontuaram esta cerimónia e que a todos emocionaram. Evocar escravatura perante a Rainha? Nunca pensei! Nunca pensei ver um grupo de gospel fechar o sermão num casamento real. Nunca esperei ouvir um violoncelista negro a emocionar rainhas, príncipes e duques.

 

A panorâmica televisiva que perscrutava as bancadas não enganava. A monarquia e a aristocracia branca europeia-de-sempre estava de boca aberta, extasiados a presenciar um momento que nunca esperaram assistir.

 

 

São os tempos modernos? É assim que a monarquia tem que ser?

Não.

É o amor.

O tão simples e arrebatador AMOR. Que desde sempre nunca escolheu idades, sexo, raça ou origens. Só que nunca na história teve oportunidade de vingar e ter um palco mundial que inspirasse novas gerações.

Se dúvidas existissem quanto ao seu poder esta foi uma derradeira prova.

 

 

Por isso é este não foi um casamento Real, foi de realidade. Com tudo aquilo que de melhor uma união traz – a oportunidade de cada um de nós enriquecer a vida do outro com aquilo que faz de nós a unicidade que apaixona.

Ela foi ela. Ele foi ele. A cerimónia foi de todos nós.

E isso foi comovente por todos os casamentos que nunca puderam ser concretizados à luz dos tempos, dos preconceitos, das mentalidades e dos medos provocados pelos estereótipos.

 

Amor é amor como o Padre disse e nós todos sentimos isso no sábado de manhã.

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