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New in Town | “She’s a Maniac, Maniac on the”… Coliseu dos Recreios

15 Julho, 2015

Falta 1 mês. Faltam 3 semanas. Ok, faltam 15 dias. Tranquilo. Falta 1 SEMANA (cara de emoji com os olhos espantados)… só de escrever isto o meu coração já começa a palpitar um bocadinho mais rápido. Faltam 3 dias no momento em que vos escrevo. O.M.G!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! 3 dias para actuar no Coliseu de Lisboa. Hastag “xixi-na-cueca”. Fui! Adeus. Até um dia!

Nãooooooooooooooooooo! Voltei. Estou aqui super animada, bombada, galvanizada. Porquê? Porque vou consegui riscar um ponto na minha bucket list. Yayyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyy!!!!

Eu sou uma pseudo-bailarina-wannabe-assumida. Sou amadora, porém amo dançar de paixão, de coração, de corpo inteiro. Descobri a dança quando era bem pequenina (tinha 5 anos), numa tentativa desesperada dos meus pais recuperarem a sua sanidade mental. Eu era aquilo que hoje tem o nome de “hiperactividade”, só que nos anos 80 chamava-se “mexida-comó-raio”. Olá! Era eu. A encarnação do mal em forma de saltos, pulos, travessuras e MUITA energia. Depois dos meus pais perderam quase a sua vida social, porque eu não podia entrar em sítio nenhum sem trepar o que quer que fosse, decidiram que toda a minha energia acumulada tinha que ser expelida por qualquer poro do meu corpo, em prol do bem-comum.

Claro que como menina, a minha mãe sentiu o apelo do cliché de me colocar no Ballet, na Academia de Dança de Setúbal (que chique!). Durei um mês lá! No final desse mês a minha mãe foi falar com a professora, super rígida e certinha (como o ballet obriga) e pediu um feedback sobre a minha adaptação. Claro que levou com um “Sim, sim, a Marta demonstra imensa coordenação motora, com extrema lateralidade, óptimo sentido rítmico, mas…” e a minha mãe começou a ver o discurso e o tom a mudar… “mas… ela tem demasiada energia para este tipo de dança. Como ela aprende os exercícios muito rápido, aborrece-se de estar sempre a fazer as mesmas coisas e começa a destabilizar a aula. Acho que o melhor é mesmo procurar outra modalidade, não sei… “.

Lá veio a minha mãe, arrasada, com o seu plano lindinho de esgotar as energias por água abaixo. Vai daí, passados uns dias, os meus pais souberam que no Vitória Futebol Clube de Setúbal (Vitórrrrrriiiiiiiiiiaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!!!!) estavam a fazer testes físicos, uma espécie de casting-ginasta, para captar jovens e crianças para várias modalidades do clube. Num último grito de esperança, levaram-me lá para fazer o teste e acho que nem fiz a prova toda. Disseram-me logo que eu deveria ir para o tumbling. Ta’hell é o tumbling?! Momento “Glossário do Dia” by Wikipédia : Tumbling é uma disciplina de ginástica que requer reacções dinâmicas, consciência espacial, coordenação, força e (muita) coragem. Os exercícios não ultrapassam mais que alguns segundos. O ginasta ganha a velocidade e força de impulso, executando, ao longo de uma pista de 25 metros, uma série de mortais e piruetas. BINGO!!!! Um sítio onde poderia saltar e pular à vontade que não fazia mal. JACKPOT. Aquilo foi música para os meus ouvidos e anos de vida para os meus pais.

A coisa estava a correr tão bem que ingressei logo na equipa de competição do clube. Só houve um senão nesta história, que tinha tudo para ter um final feliz e quiçá uma ginasta à séria: como as aulas de competição eram depois das outras modalidades, eu chegava a casa super tarde e não tinha força para fazer os malditos dos TPC. O que é que eu fazia? Subornava a minha irmã mais velha para escrever com a mão direita (que ela é canhota) os meus trabalhos e assim fingia que era a minha letra torta da primária, enquanto arrumava a questão (e discussão) dos trabalhos de casa. Perfeito… SÓ QUE NÃO! Claro que o meu plano maquiavélico de fuga aos TPC falhou redondamente e a minha mãe descobriu a falcatrua em três tempos. Sai da ginástica na hora, como prova do meu castigo.
Entrei directo na dança Jazz, que não sabendo na altura, era e é a base técnica de muitas outras danças. Aleluia irmãos!

A sorte das sortes foi que eu, apesar de ser destrambelhada, a rainha do social, era realmente muito boa na escola e continuava com energia a mais. Por isso, o novo acordo lá de casa foi ingressar numa outra actividade física, mas que tivesse outros horários para poder conciliar com a escola. Entrei directo na dança Jazz, que não sabendo na altura, era e é a base técnica de muitas outras danças. Aleluia irmãos! Escusado será dizer que amei, adorei, delirei e morria de excitamento sempre que existiam os saraus de ginástica do Vitória, no final do ano, e tinha que actuar para um pavilhão gigante cheio de gente. Olhem, foi amendoins para a minha macaquice. Foi também ai que comecei a aprender a estar à frente de muita gente, de actuar para uma plateia, enfim, o gatilho para o que já nasceu comigo e para a minha inner-beyoncé-adormecida.

Fiz dança jazz durante anos, depois veio a febre da aeróbica, depois a sofisticação do funk, a influência do hip hop e a dança pegou para sempre. Quando entrei na faculdade ainda estive parada dois anos, mas tive que retomar porque não estava a conseguir não dançar. É engraçado, porque todas as minhas amigas que dançam sentem isso mesmo. É uma droga legal que provoca adição da pesada, ali na veia. É incrível. Depois de ter passado por algumas escolas, quis o destino (porque eu acredito nestas coisas) que os nossos caminhos se tivessem cruzado – os meus e os da Jazzy Dance Studios. Foi amor à primeira vista.

É lá que hoje dou corpo e forma a esta minha paixão. É lá que deixo as minhas energias fluir. É lá que me concretizo um bocadinho. E é por causa dela que já actuei ao lado de pessoas que admiro muito e treinada pelos melhores dos melhores.

Mas não acredito existirem muitas escolas que fechem grandes casas de espectáculos neste país. E não existe mesmo nenhuma que vá fazer aquilo que a Jazzy se propôs neste ano – fazer o espectáculos final da escola no Coliseu de Lisboa. BOOM! POOW! Morri.

É que desde que me conheço que olho para aquela casa de espectáculos como o epíteto do showbizz, da performance, do estrelato. Desde que assessorei a vinda do musical dos CATS a Portugal, há uns anos, que a imagem de lá actuar, de dançar, não me sai da cabeça e daqui a três dias vai ser concretizada. Say what?!?! Não é a loucura total!?!??! É! E sabem porquê? Porque as pessoas que estão à frente desta escola têm a dose perfeita de loucura, garra e talento que misturadas no palco dá espectáculo na certa. Neste momento vive-se o frenetismo nos corredores da escola. Trocamos mensagens e e-mails com as opções de roupa. Treinamos fora de horas todos os dias. Emagrecemos. Comemos pouco. Rimos muito. Desesperamos. Ficamos nervosos. Ensaiamos até termos bolhas nos pés… mas tão mais felizes.

Por isso é que o meu coolómetro desta semana aponta para o Coliseu, para dia 19 de Julho, às 21h. O dia em que vou poder dizer que já actuei na maior casa de espectáculos do país. O show deste ano dá pelo nome de Darkikos numa ode ao circo que chegou à cidade. O espectáculo convida a entrar de luzes apagadas, num misticismo que se reproduz. O que haverá para lá dessa ausência de luz? Momentos de reflexão, que antecedem o abrir das cortinas e que desafiam o que nos parece óbvio ao primeiro olhar. Corpos que se cruzam e completam, em estilos tão diferentes quanto a música que os guia. Ritmos, tantos, num circo feito de dança.

E vocês vão ficar aí? Onde é que estão os apaixonados pela dança como eu? Onde estão as pessoas que querem só aquele incentivo para dar o passo em frente e arriscar numa coisa nova? Querem ficar com o bichinho da dança e sentirem-se inspirados?

Então faço o convite – APAREÇAM que não aviso cabeças.

Os bilhetes estão à venda nos locais habituais (sempre quis dizer isto), custam entre os 10 e os 12€. Há preço especial para famílias e… OS BILHETES ESTÃO QUASE ESGOTADOS. Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh! P-Â-N-I-C-O.

Mas se, assim pela força dos nervos, não conseguirem MESMO ir, apareçam na nossa escola. Garanto amor imediato, muita boa disposição, energia contagiante e ritmos que nunca mais vão esquecer. A dança está na moda. Vão querer ficar de fora? Só para aguçar o apetite, um pequenino spoiler:

PS: Se quiserem saber como é que eu estou, basta seguirem a hastag #xixinacueca”. Sou eu, até domingo.

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