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O dia em que saí para ir passear e acabei a correr a meia maratona

9 Dezembro, 2014

Ai, migas, estou que nem posso…
Ontem, feriado, decidi contrariar as minhas naturezas compulsivas de agitação para fazer um programinha calmo e familiar, sem grandes planos nem ideias megalómanas.
Por isso, acordei tranquilamente, fiz um mega pequeno-almoço, cheio de coisas boas, ainda tratei de alguns afazeres caseiros e vesti-me para ir dar um passeio tranquilo com a Concha nos trilhos do Jamor. Fazermos o nosso “passeiozinho dos tristes” enquanto o Senhor-Lá-de-Casa ia ao seu Corssfits-Coisas-Cenas-Bué-Másculas.

Gosto muito destes nossos passeios femininos caninó-humanos, em que sou só eu e ela em contacto com a natureza. Eu sei que parece super lamechas e forçado, mas na verdade não é. São alturas em que ela passeia, liberta as energias todas, corre, rói, brinca, enquanto eu vagueio nos meus milhentos pensamentos. Nestes passeios acabo sempre por ter ideias, resolver questões que tenho na minha cabeça, estou em silêncio e penso na vidinha. Que isto às vezes é preciso e necessário. I like it.

Bom (estalo de língua), retomando a história… Sai de casa, vestida em modo casual, mas encasacada até à quinta casa, descemos até ao corta-mato e nem tinha passado muito tempo quando avistamos ao longe aquela dupla de dois infalível: rapariga + cão.
A Concha viu logo, colocou-se na sua posição de “alerta-cão”, com o rabo a abanar em rotações mirabolantes e a olhar para mim em modo “please, please, pleaseeeeeeeee let me goooo”,
Quando percebi que o cão era inofensivo, tirei a trela e a partir daqui foi a MARATONA, literalmente. A Concha largou numa arda que nem vos conto.

Como sou uma miope em negação não tinha conseguido perceber que cão era, mas à medida que se foram aproximando, percebi que o bicho era arraçado de galgo ou  então de alguma coisa supersónica, porque mal a Concha foi lá fazer a snifadela e lambidela de reconhecimento ele largou numa passada que o meu barril de quatro patas conseguiu acompanhar. Ele começou numa passada insana a correr e a Concha largou atrás dele como se ele fosse um pedaço de queijo. Nisto a rapariga, dona do cão, continuava tranquilissima da vida a correr e eu, a gorda, a tentar apanhar a caravana em movimento.
A rapariga, tal como o cão, devia ter uma costela keniana. Largou numa passada que eu não conseguia acompanhar. E que fique bem sublinhado, eu sou uma pessoa que faz desporto, que está habituada a correr, ando no ginásio e danço desde sempre. Mas aquilo foi muito à frente, e eu, tristemente, muito atrás.

Como o percurso, embora circular, é muito grande, havia ângulos em que deixava de ver o pelotão da frente, pelo que tive sempre que acompanhar a maratona canina, com medo que da mesma maneira que a Concha arrancou para o cão, podia de repente cheirar outra coisa que lhe interessa-se e zarpar noutra direcção, como a rapidez do Flash Gordon.
Já quase a morrer, a  deitar os bafos pela boca, a tentar, enquanto corria, despir as várias camadas de roupa que tinha levado, porque achava que NÃO IA CORRER, comecei a adoptar outros caminhos alternativos e a atalhar pela vegetação para encurtar o circuito e não ter que correr tanto que as gazelas. Espertaaaaaaaaaaaaa. Clap clap clap para mim, mas mesmo assim estava intense.

Depois de algumas voltas neste registo, eu já estava prestes a desistir quando olho para o horizonte a desesperar e vejo que afinal a balofice é de família. Naquele momento a Concha completamente esgotada, com o fiambre de fora, olha para trás, como que a ver onde andava a sua dona fraquinha para a salvar, e ao perceber que eu ia lá atrás, abrandou e começou a andar na minha direcção. Quase que verti uma lágrima, porque ou era ela ou eu a desistir daquela loucura. Ufa! Lá coloquei a trela, não fosse ela estar numa “pausa activa” e arrastámo-nos até casa. As duas…

Só vos posso dizer que acabei assim, como este senhor na fotografia. True Story.
E lá se foi o meu feriado pacífico.

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