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Os emails das Finanças bem que podiam ser em chinês

23 Janeiro, 2015

Sempre que recebo um email das Finanças acontece-me duas coisas:

1) Tremo, porque acho que alguma coisa de errado se passou na minha contabilidade pessoal e são as Finanças a dizer-me que tenho uma dívida aproximada de 100 mil euros. Não sei porque acho sempre que é uma divida, nem tão pouco deste valor. Pancadas…

2) Revejo o meu conceito de inteligência pessoal. Pergunto-me se serei assim tão dotada ao nível da contagem de neurónios. Certifico-me de que tive 12 anos de matemática e que era bem boa no assunto. E questiono-me se sei, na verdade, interpretar um texto de origem portuguesa.

Posto isto, sempre que recebo um email com a origem “Autoridade Tributária e Aduaneira”, tremo, abro o dito, que eu sou pessoa bem educada e sinto que tenho que ser simpática para as pessoas (coitadas) que perderam tempo e inteligência a escrever aquele email, leio na diagonal, pesquiso por palavras como “dívida”, “montante”, “penhora”, “está lixada”, “fuja” e caso não as encontre volto a fechar o textinho e sigo a minha vida com a certeza porém de que:

A) Não percebi um CU do que lá estava escrito;

B) Em principio não devo ter feito nenhuma asneira;

C) Continuo a não perceber este “financês” que me fere a vista e a alma.

Mais alguém está comigo? Hello? Anyone?!?!
Sou só eu que sou uma burra a descodificar estas notificações?
É que a sério… Portal das Finanças, amigos, se têm tanto dinheiro para tantaaaasss coisas, por favor, considerem colocar uma ou duas pessoas de Comunicação a dar uma revisão geral nos vossos textos e a descodificar para PORTUGUÊS o que vocês querem REALMENTE dizer. Qualquer coisa como “Finanças para Dummies”.

É que lamento… eu sei que vocês andaram a estudar essa treta para xuxu e que há alguém do departamento jurídico que gosta de lançar aqueles jargões todos de Direito fiscal, mas… EU, a dona Maria e o Sr. Manuel (não poderia ter sido maior o cliché) estamo-nos pouco MARIMBANDO para ISSO!!!
A sério, sejam mais objectivos e sucintos, porque senão estamos sempre a entupir-vos as linhas telefónicas e a gastar as senhas de atendimento com perguntas estúpidas e desnecessárias, muitas vezes por simples falta de comunicação, ou neste caso de des-informação, com justa causa, por incompatibilidades de linguagem.

Percebem o que está aqui?!?!?!?

“(…) Assim, de harmonia com a alínea a) do n.º 2 do artigo 58.º do CIVA, caso tenha atingido no ano de 2014 um volume de negócios superior a € 10 000 ou, reunindo as condições de inclusão no regime dos pequenos retalhistas, tenha obtido um volume de negócios igual ou superior a € 12 500, deve apresentar a declaração de alterações a que se refere o artigo 32.º do CIVA até 31 de janeiro de 2015, ficando enquadrado no regime normal de tributação com a obrigação de liquidar imposto nas operações efetuadas a partir de 1 de fevereiro do mesmo ano, sem prejuízo da opção pelo regime dos pequenos retalhistas, prevista no n.º 1 do artigo 55.º do referido código (…)
Com os melhores cumprimentos.
O Diretor-Geral
António Brigas Afonso

Não Exmo. Sr. António Brigas Afonso! Eu não percebo o que é que você quer! Primeiro ninguém utiliza  apalavra “harmonia” numa situação de total confusão como esta, só assim a dar uma de mundano. E, a não ser que seja o Saramago, não se faz um parágrafo desta ordem de grandeza, que começa em Lisboa e vai até Vila Real, só para gozar ainda mais com a nossa cara e confusão. Deves ter muitos amigos…

Atentamente,
Marta Neves de Sousa, contribuinte indignada.

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