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“Os Empatas do Asfalto e o Fascínio da Faixa da Esquerda”

16 Julho, 2015

Este é, sem dúvida, o título para um dos episódios mais recorrentes da minha vida. True story.
É, também, um post-pós-chegada-ao-trabalho-enfurecida-pelos-atentados-ao-espírito-e-à-paciência-de-buda-que-eu-tenho, mas que no limite NÃO ESTOU A AGUENTAR MAIS! Tenho que falar sobre esta situação, tenho que denunciar.

Eu sou uma pessoa calma, tranquila, compreensível (às vezes até demais), de bem com a vida, zen, sorridente, bem-disposta, mas… (que há sempre um mas…) é no trânsito que muitas vezes a bílis vem ao de cima. Assim, tipo, tipo, refluxo esofágico em estado avançado. Não costumo ir a jogos de futebol, por isso o meu momento “bancada-de-adepto” é em pleno trânsito.

Porém, não fiquem já a pensar que eu sou a maluquinha da estrada que aproveita o estar protegida pela carapaça do seu bólide para discorrer impropérios randômicos sobre os comuns transeuntes. Não! É um sentimento que cresce, que se agudiza à medida que os metros avançam na estrada e que a minha paciência fica cada vez mais no lancil.

Todos os dias da semana faço o caminho Jamor-Cais do Sodré e é o degredo total. Optei por não fazer o percurso pela A5, que ai os nervos são outros, e descobri que pela marginal é mais fácil chegar a horas decentes. Convém também dizer que eu tenho que “picar presença” no meu trabalho e que cada minuto a mais é um minuto a menos, ou seja, se entro mais tarde tenho que obrigatoriamente e milimetricamente compensar com a saída, sendo que eu tenho que entrar MESMO até às 10h em Ponto! Depois disso há falta. E nós não queremos isso, pois não? Não!

Ora bem, o que é que acontece? Acontece que eu gosto de entrar mais tarde, porque sou mais produtiva a seguir ao almoço e, por isso, gosto de chegar no limite para poder sair mais tarde. Até aqui tudo bem. Programei a minha hora de saída, os km que tenho que fazer, a velocidade, tudo fino. SÓ QUE NÃO!!!!!!!!!

TODOS OS DIAS apanho um camadão de nervos porque há pessoas que são autênticos CONAÇAS e substitui aqui o “empata” por “conaças” (uma expressão sinónima da palavra que se utiliza muito na minha terra e que deriva de… vocês sabem…) porque é aquilo que sinto e neste momento de desabafo tenho que ser fiel ao meu léxico. A sério, há pessoas que só EMPATAM o trânsito. Não têm outra função. Não têm reflexos, não são ágeis, não facilitam a condução das outras pessoas, não sabem fazer uma rotunda, fazerem-se ao cruzamento, deixar as outras pessoas passar, não são solidários – EMPATAM!

Dentro deste grupo bastante alargado de pessoas fiz uma lista de vários sub-grupos dentro do género que me fazem passar por completo todos as manhãs. Atentai:

1) Os Fascinados pela Faixa da Esquerda – Ora bem, para quem não sabe, a faixa da esquerda serve para ultrapassar. Uuuhhhhhhhhhhhhhh! Espectacular, não é? Mas como é que uma pessoa pode ultrapassar (porque já está atrasada) quando a faixa da esquerda e da direita estão a ser ocupadas pelo mesmo tipo de pessoas que escolheu em plena hora de ponta matinal ir a 30km/h na marginal só porque sim?!? Exacto! É o meu dia todos os dias. As pessoas NÃO QUEREM SABER. Não querem saber se os que estão atrás têm pressa, se querem passar, se não podem estar ali. Nada! Eu, a páginas tantas, ainda pensei que já estava a exagerar, mas sempre que o meu homem me vai levar ao trabalho ele ainda fica pior e acaba sempre a boleia com a frase “não sei como é que aguentas isto todos os dias”. I rest my case.

2) Os Vesgos da Estrada – Como estamos apertados de tempo, atrasados, irritados, e percebemos que estas pessoas não tiraram a carta na Janeca em Setúbal, começamos a querer fazer pedagogia pelas próprias mãos. Trocando por miúdos, começamos a fazer sinais de luzes, como que a dizer “por favor, Senhor Empata, importa-se de ir para a faixa da direita para o poder ultrapassar?” ou “hello? está alguém ai? Está acordado? Posso passar?”. 90% das vezes que tento esta abordagem mais pirotécnica não tenho qualquer tipo de resposta. Vejo que as pessoas perceberam, porque vi-as a olhar pelo retrovisor, mas não se mobilizam. Continuam a assobiar para o ar como se nada fosse. Muito bem. Passamos para o plano B. Apitar!

3) Os Moucos da Estrada – Quando estou mais irritada apito. Opah, é terrível, eu sei, mas é a minha tentativa pedagógica de tentar mudar mentalidades e expurgar maledicências, quando me fecham deliberadamente oz’ólhos. Normalmente, apito quando consigo ultrapassar pela faixa da direita (sim, não se deve fazer, dá multa, blá, blá, bla), olho para o condutor que está na faixa da esquerda e apito, naquela de “estou a cometer uma infracção por sua culpa, entendeu agora?”. Não. Não entendem. Porque eu faço aquele espectáculo todo e não acontece nada. Ficam ali na sua vidinha, nada daquilo mexeu com eles ou com a sua condução. Ignoram-me. Acham que estão bem. Enfim, é um grande desgaste…

4) Os Relaxados da Estrada – Depois tudo se complica quando damos de caras com os “relaxados”. Ui! Topo-os à distância. Sabem porquê? Porque normalmente têm um bracinho ou um cotovelo de fora, têm uma mãozinha a dar no vento, vão com o seu cigarro a apanhar sol, são os que estão na maior. E, como devem calcular, o cenário da marginal pede contemplação. É o “passeio dos-tristes” como se costuma dizer. Mas a uma quinta-feira às 9h30?! No thanks!!!! Porém, se querem contemplar, fumar um cigarrinho, estar na maior, PORQUE NÃO VÃO PARA A FAIXA DA DIREITA??!?!?! Sinto que estou a repetir-me…

5) Os Assanhados da Estrada – Agora vêm os assanhados. Sim, aqueles que quando me vêm a fazer sinais de luzes fecham os olhos. Quando me ouvem a apitar, fazem-se de moucos. Mas quando os consigo ultrapassar pela direita baixa neles o Ayrton Senna e são os maiores. De repente percebem que existe um pedal de aceleração, que o carro até consegue dar mais do que os 30 ou 40km a que nos estavam a obrigar a circular e, num despique pela sua masculinidade (perdoem-me o sexismo, mas na sua maioria são homens a ter esta reacção), resolvem fazer da 24 de Julho uma pista da Fórmula 1. Palminhas para eles. Só queria que tivessem descoberto isso há 10km atrás. Mas tudoooooooooo bem.

6) Os Zelosos da Estrada – Por último temos os Zelosos da Estrada. Aqueles que vêm o verde há muito tempo no semáforo e começam a abrandar com medo do amarelo. Aqueles que depois de termos feito sinais de luzes em strobe, depois de termos apitado e tentado ultrapassar sem êxito, colocam com a maior das caganças o pisca para a esquerda, como que a dizer “calma, amiga, que eu vou voltar à esquerda e por isso é que tenho que andar aqui a esta velocidade”. Só que o problema é que passa o primeiro cruzamento e eles não viram. Passa outro semáforo e eles não voltam. Passam 20km e eles ainda continuam ali. Juro, que uma vez vi uma pessoa a colocar o pisca para a esquerda no CCB e voltou à esquerda em Alcântara.

Ai, ai minha gente (em tom bem suspirado)… é um grande desgaste. Haja paciência, que a compreensão já era!

Quem tem mais historias destas para partilhar? Conhecem mais algum tipo de condutor que eu não tenha incluído aqui? Esqueci-me de algum espécime?

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