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LIFE & LOVE

PEDRÓGÃO GRANDE | DEPOIS DA TRAGÉDIA, COMO PODEMOS AJUDAR?

19 Junho, 2017

 

Por esta hora já há muito pouco a dizer sobre a tragédia, de proporções nunca antes vistas, em Pedrógão Grande que deflagrou às 13h43 de sábado, em Escalos Fundeiros, concelho de Pedrógão Grande, alastrou depois aos concelhos vizinhos de Figueiró dos Vinhos e Castanheira de Pera, no distrito de Leiria, e entrou também no distrito de Castelo Branco, pelo concelho da Sertã e que se prolonga até ao momento em que escrevo este post.

 

Lembro-me de estar, literalmente, a derreter no casamento a que fui no sábado. Entre uma bebida fresca e a procura desesperada por uma sombra (e nem lá se estava bem) passei revista pelo feed do Facebook e  do Instagram para matar o tempo. Foi aí que entre fotografias de piscinas, turismos rurais, pessoas transpiradas nas mais diversas praias deste país, começou a chover posts, partilhas, fotografias que davam contam de um incêndio de grandes dimensões em Pedrógão Grande.

 

A festa continuou, tal como as selfies encaloradas, os corpos bronzeados e as bóias em piscinas alheias. Era o dia mais quente de que há memória e estava tudo à procura de uma só desculpa para refrescar. E ninguém percebeu ao certo o que se estava a passar…

 

Durante a boda fomos presenteados por uma espécie de intempérie tropical. O bafão de céu limpo e sem sombras deu lugar a um ar cinzentão carregado, pesado de estranho. Perto das 19h caiu uma chuva atípica, com pingos gordos espaçados, mas que molhou por segundos o asfalto latejante. Depois das gotas veio a fúria do vento que quase levava tudo e todos num casamento que se queria ao ar-livre.

 

Comentei com o marido e os amigos que estava estranho o céu, estranho o tempo. A atmosfera estava pesada e a sensação era a de estar no meio de um filme de acção onde uma tempestade tropical assola a cidade vizinha provocando várias peripécias e aventuras aos heróis anónimos de serviço.

 

Lembro-me, também, de ter saído do casamento à meia noite, de ter chegado a casa, ligado a televisão num canal de noticias (como sempre faço), e de ter ficado perplexa a olhar para a televisão. Afinal não era “só” mais um incêndio, não era “só” mais um momento de “lá está mais uma mata a arder quando chega o calor desmedido”. Não! Era mais do que isso.

 

Vi o Presidente da República a cumprimentar os presentes de semblante pesado, abraços demorados, caras fechadas. Seguiu-se António Costa na contextualização e o rodapé dava conta de pelo menos 19 mortos entre as vitimas do incêndio que ainda tinha várias frentes activas.

 

O cansaço foi mais forte e deitei-me a pensar na dimensão da tragédia, todavia dormi convencida e sossegada de que mais hora menos hora os nossos heróis-bombeiros iam conseguir travar a força das chamas.

 

Porém, quando acordei no domingo, prossegui o mesmo ritual de sempre – ligar a televisão numa estação de notícias enquanto preparo o pequeno-almoço. Quando sintonizo no noticiário percebo aquilo que nem nos meus piores sonhos podia ter imaginado. Quando me fui deitar eram 19 o número de vitimas mortais, quando acordei o número já tinha subido para 52…

 

Este número atingiu-me directamente no estômago. Como é que isto podia ter acontecido?! Como é que passamos de 19, que já é um número assustador (só uma vida já seria trágico…), para 52…?!?! Eu e o João ficámos sem palavras e continuámos assim a manhã toda, sem conseguirmos desligar a televisão, sem conseguirmos reagir à quantidade de informação que chegava de vários pontos de reportagem espalhados pela região fustigada.

 

Não vale a pena estar a esmiuçar ou a focar aquilo que já todos, infelizmente, sabemos. A tragédia chegou sem avisar a muitas pessoas, inocentes, que se deslocavam, que não conseguiram sair de suas casas, homens e mulheres que simplesmente não conseguiram fugir a um fogo descontrolado e enraivecido que teima não cessar. Estar na hora errada no sítio errado é tudo o que penso neste momento.

 

O incêndio que deflagrou no sábado em Pedrógão Grande causou até ao momento 64 mortos e confirmam-se 135 feridos, entre os quais 121 civis, 13 bombeiros e um militar da GNR, revelou à Lusa o presidente do INEM. Luís Meira indicou que, dos 135 feridos, sete estão em estado grave: cinco bombeiros voluntários e dois civis.

 

Como partilhei nas redes sociais, o meu coração está com todas as famílias e amigos de todos aqueles que perderam a vida neste fatídico sábado infernal. Não há palavras suficientes para apaziguar a dor de quem perde os seus entes de um minuto para o outro. Não há nada que nos permita voltar atrás na tragédia a que assistimos perplexos no conforto das nossas casas. O meu coração está também com todos os bombeiros-heróis, INEM, GNR, Protecção Civil, Policia, Civis, homens e mulheres destemidos, que não pestanejaram na hora de se colocarem entre as chamas e a salvação. É deles a nossa mais profunda admiração.

 

 

Marcelo Rebelo de Sousa apelou, “não há tempo para cobrança ou revolta, há que reagir e ajudar”. Foi por isso que partilhei todas as linhas de apoio que foram criadas nas minhas redes sociais (para quem não viu vá lá dar uma checkada).

 

A onda de solidariedade espalhou-se como rastilho de pólvora (graças a Deus!). Podem-nos chamar de tudo, mas se há coisa que este povo é, é solidário. Diz-se que quem menos tem, mais dá, e é bem verdade! Portugal uniu-se e já há várias frentes de ajuda e várias iniciativas solidárias.

 

Caixa Geral de Depósitos, num gesto de solidariedade e cidadania, abriu uma conta solidária para ajudar as vítimas desta tragédia, na qual a Caixa depositou já a sua contribuição de 50.000 euros. Todos que queiram contribuir com uma doação monetária podem fazê-lo para esta conta

 

IBAN: PT50 0035 0001 00100000 330 42 

 

Podem também fazer uma chamada para o número 760 100 100 – uma linha aberta pela SIC de valor acrescentado onde o valor de cada chamada reverte na totalidade a favor da ajuda ao incêndio.

 

Já fiz a minha doação e queria muito contribuir com bens perecíveis e com os artigos que fazem falta neste momento aos bombeiros e todas as forças voluntárias presentes no local, contudo li há pouco numa reportagem que o presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses apelou esta segunda-feira à população que suspenda, por enquanto, a dádiva de bens alimentares e medicamentos, por terem já “todos os stocks lotados”.

 

“Agradecemos do fundo do coração mas não recolham mais alimentos para entrega enquanto não houver uma nova comunicação da Liga dos Bombeiros Portugueses, caso volte a haver necessidade”, disse Jaime Marta Soares.

 

O apelo da Liga dos Bombeiros Portugueses surge um dia depois de a Ministra da Administração Interna ter feito declarações no mesmo sentido.

 

“Estamos a assistir a uma enorme vaga de solidariedade e é de louvar. No entanto, eu queria fazer um apelo: O facto de as pessoas estarem a dar muitos mantimentos está neste momento a causar-nos algumas dificuldades de logística porque ficámos com excesso de alimentação”, disse aos jornalistas Constança Urbano de Sousa.

 

Neste sentido, espero por nova ordem das autoridades para poder doar alimentos ou medicamentos necessários, até lá podemos sempre fazer doações em dinheiro para a ajuda às vítimas e ligar para a linha aberta.

 

 

A cultura também se uniu neste luto nacional e vários músicos de Leiria vão juntar-se pelas vítimas dos incêndios, num concerto solidário este próximo sábado.

 

David Fonseca encabeça o concerto de ajuda a Pedrógão. É já este sábado que o antigo vocalista dos Silence 4 sobe ao palco do Teatro José Lúcio da Silva, em Leiria, com vários artistas da cidade. As receitas do concerto revertem para as vítimas de Pedrógão. Os bilhetes deverão esgotar rapidamente, por isso se querem estar presentes e contribuir desta forma, apressem-se.

 

Também a Sons em Trânsito, empresa sediada em Aveiro e que se dedica ao agenciamento, produção de espectáculos e gestão de carreiras artísticas, desafiou alguns dos principais artistas nacionais a fazerem um concerto solidário no MEO Arena. Para quem quiser assistir e contribuir, no dia 27 de Junho haverá um concerto com mais de 20 artistas, transmitido em direto pela RTP, cujas receitas reverterão na sua totalidade ao apoio às vítimas e à reabilitação das áreas afectadas.

 

Para mais informações recordo que o número da linha de informação pública sobre Pedrógão, para informações sobre pessoas desaparecidas e estradas cortadas na zona de Pedrógão Grande, é o: 800 246 246.

 

O Governo decretou três dias de luto nacional, até amanhã, terça-feira.

 

(*) Todas as fotografias postadas são da autoria de Adriano Miranda in Jornal Público.

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