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SOMOS CAMPEÕES EUROPEUS | “THE BUTTERFLY EFECT”

11 Julho, 2016

Escrevo-vos ainda no rescaldo de uma noite que foi intensa, arrebatadora, apaixonante, enervante, vitoriosa, MEMORÁVEL! 

Tenho poucas horas de sono. Uma dor de cachimona que não me passa por nada, mas uma sensação de felicidade que já não sentia há muito. E é uma alegria partilhada por todos os quantos me cruzei hoje. Há um sorriso, uma cumplicidade, uma alegria conjunta de amor nacional.  

Ontem, 10 de Julho de 2016, foi Dia de Portugal. 

Precisamente um mês depois da comemoração oficial, Portugal cumpriu-se num desígnio maior – conquistar o tão desejado título de campeão nacional. Mas não foi só! O dia começou auspicioso com as vitórias das nossas portuguesas no atletismo. Hora após hora íamos recebendo notificações de festejos, de mais uma medalha recebida, de mais um recorde ultrapassado, de mais uma meta alcançada. Os minutos iam passando e já não se falava em mais nada. Directos atrás de directos, de Paris, do acompanhamento da Selecção Nacional do Hotel até ao estádio, em Portugal, de todos os pontos do país. Mais de 10 mil portugueses fizerem o percurso com os magriços. Juntos nos sonhos e na energia. Foi comovente. 

E nós, eu, o João e a minha mãe em plena autoestrada, a ouvir os noticiários todos, dando conta dos últimos momentos que antecediam o jogo. E, como sabem, na rádio tudo fica mais intenso, tudo ganha uma nova vida, tudo fica mais real. 

Chegámos a Setúbal, a casa dos meus pais, 45 minutos antes do jogo. Já não nos conseguíamos controlar. Estávamos nervosos. Estávamos desesperados pelo inicio do jogo, num misto de sensações: queríamos que chegasse logo a hora, mas sabíamos que íamos sofrer. 

Dez minutos antes das 20h, chega a minha irmã, companheira nestas horas, sempre presente em toda a minha vida nos momentos de maior aperto desportivo. Sempre partilhámos esta paixão pelo desporto (ela mais do que eu, até), sempre vibrámos com as cores nacionais e tudo o que foram jogos decisivos lá estávamos juntas, em casa, no sofá, com a nossa televisãozinha a torcer com toda a alma que tínhamos. Só faltava mais uma pessoa, a minha vizinha da frente. A vizinha de sempre que connosco partilhou esses momentos. 

O João ainda tentou argumentar uma viagem rápida para Lisboa, para vermos já o jogo em nossa casa, mas eu disse-lhe NÃO! Vai ser aqui em Setúbal que vamos ver, estou a sentir. Temos que ver com a minha irmã e com a minha vizinha. Vai dar sorte!

Ele diminuiu a minha previsão. Achou que era parvoíce da minha parte. Mas ficou. E nós lá ocupámos os mesmos lugares que no Europeu 2004 sentiram a emoção como nunca antes. 

Era essa a revanche que procurávamos. Nós as três, que morremos um pouco na esperança, nesse fatídico ano que vai ficar, também, para sempre na memória colectiva portuguesa. 
Queríamos aquilo que chorámos no Europeu de 2004. Queríamos finalmente ganhar. 

20h… apito inicial, começou o jogo e fez-se silêncio lá fora. A janela estava aberta para a varanda e não se ouvia nada, ninguém estava na rua, era um cenário assustadoramente apocalíptico. Todas as emoções e vozes estavam concentradas naquele jogo. 

A poucos minutos do inicio ficámos incrédulos. Não quisemos acreditar. Uma entrada fortíssima do jogador francês lesionou o nosso talismã. Há pormenores dos quais só tenho flashes na memória. Cristiano Ronaldo estendido no chão – agarrado ao joelho – imóvel. Ninguém conseguia dizer nada… 

Não acredito. Ninguém acreditou. Ia ser assim? Saída do nosso melhor jogador? Quem podia finalizar uma jogada que nos daria a vitória!?!? 
Não! Não podia ser!

O plano começa a apertar. Do geral, particulariza-se na cara do nosso capitão. As lágrimas de Cristiano escorrem sem controlo. A cara da nossa salvação é a incredulidade de todos. E agora? 

Nesse momento, eternizado no ecrã, vem uma borboleta/traça, chamam-na o que quiserem, aproxima-se do capitão, paira suavemente sobre o seu corpo e ele não a afasta. Foi aí que senti que alguma coisa ia acontecer. Não me perguntem porquê, não sei explicar, mas aí eu vi a vitória de Portugal. 

“The Butterfly Effect”, ou o “Efeito Borboleta”, é a designação dada à teoria científica que defende que uma simples ocorrência, por mais pequena que seja, como o bater de asas de uma borboleta, pode alterar o rumo físico do universo para sempre. 

Querem melhor prova que esta? A vitória de Portugal, ontem, foi a consumação pura da teoria universal. 
A lesão de Cristiano provocou a alteração na equipa que os fez acreditar na vitória. As asas da borboleta, símbolo de transformação e vida, são o corolário da “nova vida” que esta entropia lhes trouxe. 

Cristiano saiu, mas nós estivemos lá. Saiu 1, mas entraram mais 11 milhões com energia, com fé, com força de que seria possível. O universo não poderia permitir que não ganhássemos. O karma não seria justo se não fosse nossa a vitória. A física e a química estavam do nosso lado, faltava a concretização. Foi só quando a bola bateu na nossa trave que pensei “isto hoje é nosso, só pode!”. 

O coração ia batendo cada vez mais rápido. Já transpirava profusamente sem controlo. Gritávamos, só porque sim. Estávamos completamente descontrolados nas emoções. Vamos para prolongamento. Mais sofrimento. Mais emoção. Certo ponto achei que ia enfartar. 

A minha irmã avisou (vocês não sabem, mas ela percebe muitooo destas coisas): “Com Ronaldo no banco ele vai ser pior que o Fernando Santos. Vocês vão ver. Ele vai ser implacável na comunicação com os jogadores”. Check! E foi também ela que no intervalo do prolongamento avistou a conversa de Ronaldo e Éder. Ela exclamou: “O que é que o Cristiano disse ao Éder? Vai acontecer qualquer coisa”. 

Começou a segunda parte do prolongamento e já estávamos transfigurados. 

Aos 109 minutos de jogo Éder recebe a bola, finta, aguenta a jogada e chuta de fora da área com todas as forças que lhe restavam e MARCA. Três segundos antes a nossa casa foi invadida por uma onda sonora que assustou. Os que recebiam o sinal em primeiro lugar já festejavam e nós já estávamos de pé à espera da surpresa. Foi tão assustador, ensurdecedor, quanto arrebatador. Era um som bélico de união e festa. Era Portugal, grande, unido a festejar um golo que ninguém esperava. 

Os restantes minutos são uma nuvem na minha memória. A emoção foi tanta que a consciência deliberadamente apagou. 

Tocou o apito final!!!!!!!!!!!!!!!!! E nós gritámos, a minha vizinha chorou copiosamente, o João estava em êxtase e a Concha em pânico com as energias perpetradas. 

Finalmente! Finalmente! Finalmente! A vitória que todos queríamos cumprir desde 2004 aconteceu 12 anos depois. E nós ali estávamos, juntas outra vez para finalmente festejarmos o que nos haviam roubado. Soube tão bem! Tão bem! Foi mágico. 

Para além do título, das vitórias, da taça, o que fica deste jogo é muito maior que qualquer torneio. É a prova de que uma equipa é muito mais do que a soma das suas individualidades. Que o mérito se constrói diariamente, com trabalho, dedicação, mas também muita sorte. É um jogo, bolas, é preciso sorte! Ontem foi a nossa vez de largar o fado em que sempre nos enrolam, de pararmos de ser pequenos, como nos querem sempre fazer acreditar, de erguer a cabeça e ter orgulho em sermos Portugueses, pequenos em tamanho, mas muito grandes em força e coração. Lembrem-se, nada é por acaso! NADA! E a borboleta provou isso mesmo. De “patinho feio” da competição, Portugal sagrou-se campeão da Europa de Futebol. 

Para quem gozou com Fernando Santos quando ele disse que só voltava no dia 11, que vos sirva de exemplo a sua fé. Porque acredito piamente que às vezes é só preciso dizer em voz alta, acreditar e transformar quem está à nossa volta para conquistarmos tudo o que nos está destinado. 

Nunca vou esquecer a noite de ontem. Tivemos a sorte e privilégio de podermos testemunhar e guardar para sempre na nossa memória um feito único. Não é só futebol. É a história de um país e de um povo. 

PARABÉNS A NÓS PORTUGUESES!

SOMOS CAMPEÕES! SOMOS CAMPEÕES! SOMOS CAMPEÕES! SOMOS CAMPEÕES! 

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Comments

  1. Sofia Mendes

    13 Julho, 2016 at 16:04 Responder

    Iupiiiiiiiiiiiiiiiii! Parabéns a nós 🙂

    1. Marta Neves

      13 Julho, 2016 at 16:20 Responder

      Siiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii!!!!!! <3

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