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UMA GRÁVIDA. UM TOPLESS. E UMA CAPA DE REVISTA. O QUE É QUE ESTÁ MAL AQUI?!

20 Junho, 2016

T.U.D.O!
Simplesmente T.U.D.O!

Ontem, quando passei por uma loja de revistas e jornais bati os olhos nas principais manchetes, li os destaques dos jornais, subi o olhar para as revistas da fofoquice (quem nunca?) e PÁ! 

WTF!?!?!?!?? NO WAY?! COMO ASSIM!?!?! 

Fiquei perplexa a olhar para a capa da revista sem saber muito bem o que dizer e sentir. 

A Nova Gente fez capa da sua última edição com uma Ana Rita Clara grávida, em topless, apenas com uma ligeira pixelização nas “manas”, numa praia em Formentera com o marido. 

Titulo: “Ana Rita Clara, apresentadora da SIC como nunca a viu”; “Grávida e Atrevida”… “As férias ‘loucas’ em ilha espanhola”. Tudo isto, numa só capa… 

COMO ASSIM?!?!!? 
Ana Rita Clara como nunca a viu? CHECK! Nem eu, nem os colegas de trabalho, nem o patrão, nem o pai. Aliás, nem ela queria que a tivéssemos visto assim, digo eu, pela força dos nervos. 

“Grávida e atrevida”… Porquê? Porque está grávida e a fazer topless? Isso é atrevimento? Quantas grávidas vemos na praia a fazer topless? Isto é notícia?

“As férias ‘loucas’ em ilha espanhola”… Estar em topless com o marido na praia a fazer topless faz de nós a próxima Paris Hilton?! 

Algo se passa de muito grave nas publicações mais cor-de-rosa da nossa praça mediática. Peço imensas desculpas a quem não concordar comigo, a quem tiver uma opinião diferente, mas para quem estudou jornalismo sabe que isto não pode acontecer. Isto é violação da intimidade de uma pessoa, independentemente dela ser figura pública ou não. E não me chocou por ser a Ana Rita ou por ser outra pessoa qualquer, ou até por estar grávida. É um momento intimo. Just that!

Não conheço a Ana Rita Clara nem o marido, não sei se já emitiram algum feedback sobre esta capa, não estou aqui a defender ninguém, portanto encontro-me em posição isenta para falar sobre o assunto, que acho que é transversal a várias figuras e a vários assuntos, é uma questão da parte pelo todo. 

Lembro-me perfeitamente que uma das disciplinas que mais gostei no meu curso foi “Ética e Deontologia em Jornalismo”. Talvez porque o professor era fantástico, talvez porque trazia sempre casos práticos e muito bicudos para discorrermos sobre a validade e pertinência da notícia. 

Um jornalista orienta a sua prática segundo três esferas: a privada, a intima e a pública. 
Não vos vou maçar com os pormenores de cada uma delas, mas posso dizer-vos que uma mulher, qualquer que ela seja (figura pública ou anónima) que queria fazer topless numa praia onde a prática é permitida, inclui-se na esfera INTIMA, ou seja, nunca pode ser notícia por isso. 

Ninguém tem o direito de publicar imagens nossas, sem o nosso consentimento, num momento intimo da nossa vida. Se não estamos a complicar com a ordem social, com o pudor ou com as regras, não PODEMOS SER NOTÍCIA. 

E a Ana Rita não está a fazer NADA para ser notícia, muito menos capa de uma revista, num momento INTIMO da sua vida. 
Se a mim já me faz confusão as figuras públicas serem fotografadas na praia em biquíni ( ai que medo!) num lindo dia de sol, quanto mais assim, com esta sobre-exposição. 
Eu só imagino a Ana Rita, o marido, a mãe, os tios dos visados a chegarem à banca e a darem de caras com esta capa. Não pode ser. 

Isto foi o quê? Falta de assunto esta semana? 
Apraz-me dizer que, PUS’VISTES(!), a imprensa cor-de-rosa deste país acha que estamos em muita precisão do sangue idêntico ao que escorre pelos tablóides dos outros cantinhos mais badalados do mundo (!!!!). É o vale tudo na hora de vender. 

É (ironia!). Estávamos mesmo precisados desta falta de limites de uma coisa que já não existe no ar que é a amiga NOÇÃO. Há quem lhe chame também bom senso. É ao consoante,  mas é igualmente NECESSÁRIA para evitar que, AINDA, que estas fotos lhes cheguem, os ‘sôres’ editores façam uma pausa para considerar – ‘pera lá….! 
1) isto é uma mulher GRAVIDA com o seu marido, nas ferias de ambos;
2) isto pode ir para as bancas?;
3) isto pode ir para a nossa CAPA???

(Pausa…)

Infelizmente, o lado B da cassete é, somente este: Ana Rita decidiu em sua consciência e na liberdade que lhe assiste fazer topless na praia.
Agora… merece uma capa??
NAO! ABSOFUCKINGLUTELY NOT!

Ninguém merece. Figura pública ou não! É falta de TUDO. E não compro o argumento do “não gostas não olhes!” ou “ela pôs-se a jeito”. MENOS!

CHEGA!!!

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Comments

  1. daniela

    27 Junho, 2016 at 13:46 Responder

    Assino por baixo. Quando vi a capa pensei o mesmo!

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