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Volta Fim-de-Semana, estás perdoado | Episódio: As Capelinhas de Setúbal

27 Abril, 2015

Sempre que vou à minha terrinha é assim. Não há volta a dar. Se penso que ir a casa dos pais, à minha terra do coração é saborear um dia, uma tarde, uma manhã, um fim-de-semana de dolce fare niente estou redondamente enganada. Aquilo é uma maratona de capelinhas.

Faz parte, eu sei! Não vou lá tantas vezes quanto quero ou preciso e as minhas pessoas do coração reclamam por presença e atenção. Faz parte, eu sei! Mas será que não dava para ser diferente? Acho que não. Se fosse diferente não era a mesa coisa, certo?

Só para não acharem que eu estou a exagerar, vou contar-vos o forrobodó que aconteceu neste fim-de-semana. Percebemos a meio da semana que passou que teríamos um qui-pro-quo logístico a caminho. O Senhor-lá-de-Casa ia trabalhar para o Porto no fim-de-semana, com saída de Lisboa logo na sexta-feira e regresso marcado para domingo às 23h. E eu tinha todo um 25 de Abril para cobrir. Com festejos, sessão solene e demais eventos que iam ocorrer na sexta e no sábado. Posto isto, começámos a pensar em como é que iríamos fazer com a Concha, que isto de ter cães não é muito diferente que ter filhos. Vá, vá acalmem-se lá, seus papás histéricos que nós sabemos que um filho é um filho e um cão é um cão, mas… é preciso pensar muitoooo bem nas coisinhas, que eu não sou pessoa de deixar a minha cadela todo o dia sozinha sem ir à rua ou companhia. Há quem consiga, não se importe, mas nós não conseguimos. Ponto.

Neste sentido, foi necessário iniciar o plano “vou ficar em Setúbal no fim-semana” para que possa ir descansada trabalhar sem horários de recolha, nem preocupações de xixis e cocós e a Concha fica acompanhada o dia todo. Mas lá vou eu ter que fazer a viagem Lisboa-Setúbal-Setúbal-Lisboa umas quatro vezes nestes dois dias e meio. Ui… mãe-de-cadela sofreeeeeeeeee! É o que faz os avós morarem longe (Eiiisssss, agora é que foi uma blasfémia para esses paizocos! Eheheheheh).

Só para terem uma noção da insanidade, na sexta-feira, na minha hora do almoço voei para casa, passei pelo supermercado para comprar coisas para o maridão levar na viagem (é uma mania minha, tenho sempre medo que lhe aconteça alguma coisa e ele não tenha o que comer. É uma panca! Moving on…). Cheguei a casa, arrumei as coisas do super e comecei a fazer o almoço, enquanto ele não chegava. Nos entretantos comecei a arrumar a mala. O que é que vou levar amanha vestido? E no domingo? Será que vou treinar? Se calhar é melhor levar os ténis na mala. Maquilhagem, não me posso esquecer. Tenho os sapatos para aquelas calças? Casaco? Vale a pena levar um maior? Estas eram apenas algumas Q&A que me estavam a passar na cabeça em loop e em modo frenético. Lá fiz a mala, o homem chegou, almoçamos, fiz-lhe a marmita, trocámos mais umas questões logísticas e segui para a segunda parte do dia que estava recheada de entrevistas, edições e muitoooo trabalhinho.

Tal como desconfiava só consegui sair do work às 22h de sexta, voei para casa para ir buscar a mala e a cadela (o marido lá conseguiu antes de ir embora passeá-la. Yes!) e no meio da chuva que caia sem piedade de mim, rumei para Setúbal, a toda a brida!
Quando cheguei a casa, perto das 23h, já tinha um pai, uma mãe, uma irmã e uma amiga a querem conversa fiada. Entre o meu jantar tardio e o meu soninho passaram-se umas boas horas de converseta, fofoquices e desabafos que se prolongaram até às 2h da manhã?! Say what!??!?! Como é que eu ia acordar às 6h?

Não acordei… Só consegui botar o pé fora da cama às 6h30. Banhoca-zombie, vestir de olho fechado e comer qualquer coisa foram as prioridades. Cheguei a Lisboa às 8h30 para um dia de cobertura do 25 de Abril. Olé!
Sai ao final da tarde e rumei logo para Setúbal outra vez. Debati-me com a questão “vou ao ginásio já ou deixo para amanhã?”. Decidi que ia ser naquele momento, enquanto ainda sabia o meu nome, que o cansaço estava para vir a qualquer momento. Mas quando cheguei ao Alegreee (dito com pronuncia setubalense) bati com a cara na porta. Tinha-me esquecido completamente que o ginásio estava fechado porque era feriado. Palminhas para mim!!!! NOT!

Dei meia volta e decidi logo ir à missa da minha antiga paróquia, onde ia com o meu agrupamento de escuteiros, a missa onde sempre vou quando fico em casa dos meus pais. Check!
Sai da missa às 19h30 e fui logo a casa dos meus avós, que fica no caminho entre a igreja e a casa dos meus pais. Tinha que lá ir senão a minha avó ia morrer de desgosto. Andava a lançar bocas ao meu pai, para ele me dizer que já estava com muitas saudades minhas e que nunca mais me tinha visto etc e tal. E se soubesse que estava em Setúbal e não lá tinha posto os cotos morria de desgosto. FUI!
Depois de ter dito 500 vezes à minha avó que não queria comer nada lá (o que para a Dona Conceição é uma ofensa) fui a correr para casa dos pais jantar. A seguir ao jantar já estava combinado ajuntamento com as minhas meninas de Setúbal. Não falha e não há hipótese. Check!

No domingo… não consegui acordar tarde. Esqueço-me sempre que dormir em casa dos pais tem disto. Às 7h da matina o patriarca bate a alvorada. Pequeno-almoço rápido, equipar, ir buscar BFF e ginásio com elas! Malhámos, rimos e abatemos as desgraças do dia anterior.
Deixei-a em casa. Fui buscar a minha outra avó. Fomos ainda buscar uns doces que ela encomendou na pastelaria para o almoço e seguimos para mais um repasto com a famelga. Pumbas! Não falha. Domingo há sempre ajuntamento de família em minha casa. Já perceberam porque é que sou assim festivaleira.

Findo o almoço, foi preciso ir passear a cadela para ela mexer aquele fofo gordo e desentorpecer as patas. A pedido da minha mãe que me andava a chatear-me há séculos para “não te esqueças que ainda não foste ver a tua prima bebé”. Pronto, lá fomos! Mais uma combinação com uma amiga antes de regressar a Lisboa e tudo isto aconteceu antes das 18h, que era a hora limite para regressar à capital, antes que terminasse o clássico Benfica-Porto. Despedi-me dos meus pais, que já tinham lá em casa os meus tios e os meus primos, porque ia haver mariscada com o jogo de futebol. E foi assim que deixei a terra do sado. Em festa, com saudades, mas muitoooo cansada deste assédio familiar do coração. Mas é sempre assim e, em boa verdade, eu gosto!!! Enfim, lá terei que continuar a ser a emigrante de fim-de-semana que quando volta só não me pedem recuerdos.
É muito bom voltar à nossa terrinha, mas também foi muito bom regressar ao sossego do lar.
Ufa! Hoje é domingo, certo?

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